Conhecimento: pra que te quero?

De onde vêm nossas informações para construirmos nossas certezas? Nessa época de dúvidas e desconfianças (com a mídia, com a política, com a economia, enfim, com as instituições sociais em geral), no que e em quem podemos acreditar? Quais visões de mundo estão disponíveis hoje? Outro mundo é possível? São perguntas difíceis, cujos apontamentos não devem ter a pretensão de finalizar o assunto.

questionamentos

No entanto é necessário buscar novas formas de pensar a sociedade e os problemas para além da visão hegemônica que os grandes veículos de comunicação nos impõem. Ora, é vital que consigamos buscar ferramentas que façam as informações chegarem à “praça pública”: novas interpretações, indagações e prerrogativas que ainda estão restritas aos pequenos grupos.

É primordial que os discursos progressistas e críticos aproximem-se mais do povo, não para convencê-lo ou – como diriam os macarthistas paranoicos – para doutriná-lo, mas para que as pessoas possam se engajar nesse debate, possam questionar, discordar, refletir e, ao final, construir sua visão e ação social. Se quisermos viver em uma cultura democrática e consolidá-la, é natural que novas visões e reflexões também sejam acessíveis.

Só assim a reflexão pode ser feita de maneira a contemplar toda a complexidade da política contemporânea, indo além dos interesses – muitas vezes escusos – que as vontades econômicas de grupos tradicionais projetam. As trincheiras dessa guerra conceitual devem ser construtivas, para que não caiamos em maniqueísmos e reducionismos políticos como outros os fazem em aparelhos midiáticos populares.

É necessário que desnaturalizemos argumentos que o senso comum teima em reproduzir, porém isso não é fácil. Por um lado, é difícil desmistificar a visão conservadora que se reapresenta e é potencializada por setores que dela se beneficiam, por outro, é igualmente complicado conseguir espaço para rebater as falácias desse discurso naturalizado, sempre apresentado por trás de um rótulo cult, cool, e, mais recentemente, teen.

É preciso, entretanto, o enfrentamento construtivo no campo das ideias. Essa é uma condição essencial para que consigamos, como num efeito catártico, atingir o estranhamento, termo, aliás, essencial e provocativo. Por que estranhamento? Sucintamente podemos considerar que estranhar é também espantar-se, não achar normal, não cair no conformismo. É possuir continuamente a sensação de insatisfação, o incômodo marcantemente agradável porque está associado na vontade do saber e posteriormente de transformar. Como diria o filósofo Edgar Morin, é “a partir dessa incerteza que temos uma atitude muito menos violenta em relação ao outro e com relação a nós mesmos”, porque dela parte a tentativa de recompreender a realidade de forma crítica.

Por fim, chegarmos ao estranhamento e ver que muitas das visões naturalizadas da realidade social são questionáveis proporciona, aos sujeitos, uma condição de criticidade que só é possível quando temos acesso à informação por seus variados prismas. E para isso é necessário ir além da grande mídia e suas pautas/discursos tradicionais. A tarefa é desafiadora, porém a expansão da internet possibilita um acesso desmonopolizado da informação. Resta sabermos usar esse trunfo e ocupar esse espaço.

Por: Alexandro Kichileski

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