Violência contra a mulher e Feminismo no ENEM

Após o Projeto de Lei 5069/2013 ser aprovado e uma mulher ser encontrada queimada e seminua às margens da BR, em Lontras – SC, o tema da redação do ENEM não poderia ter sido melhor: A PERSISTÊNCIA da violência contra a mulher na sociedade brasileira.

É preciso falar sobre violência, sobre machismo, sobre (des)igualdades de gêneros. Fazendo a sociedade pensar à respeito, conseguiremos criar voz para colocar tudo isso em prática. Porém, é triste ver que enquanto criamos vias de acessos às informações, as leis vêm na contramão. Bizarro ver que alguns Deputados não reconhecem o Brasil como um Estado Laico e colocam as ~regras~ de suas crenças na Legislação de um país inteiro.

ENEM
Obviamente os políticos que foram à favor ao projeto, foram completamente contra o tema da redação, bem como as demais questões que envolviam o feminismo. Afinal, de acordo com o Projeto de Lei, “Tipifica como crime contra a vida o anúncio de meio abortivo e prevê penas específicas para quem induz a gestante à prática de aborto.”. Alguns Deputados acusaram, inclusive, o Governo de estar fazendo “doutrinação” na prova e apontaram o ENEM como sendo o “Exame Nacional do Ensino MARXISTA”.

Inacreditável e lamentável ver que estamos em 2015 e ainda existe quem feche os olhos pra esse preconceito enraizado na cultura brasileira. As estatísticas mostram quantas mulheres são agredidas, abusadas e violentadas diariamente. Muitas delas sofrem caladas, por medo. Ainda é necessário avançar muito para que essa realidade seja modificada. E ao invés de tentar mudar este cenário, a câmara dos Deputados está aprovando projetos de leis para que essas mulheres que sofreram com um estupro, não possam abortar (até mesmo com o método de pílula do dia seguinte). Além de sofrerem com o ato de violência, elas ainda serão obrigadas a manter uma gravidez e gerar um bebê, fruto de violência. Sofrimento em dose dupla! Isso sim é praticar doutrinação.

Além da redação, teve uma questão de Simone de Beauvoir:

Simone_ENEM
Sete milhões de pessoas tiveram que escrever sobre a persistência da violência contra mulher e pensar a respeito do feminismo. Isso pode parecer pouco, mas numa sociedade onde o machismo é considerado normal, acredito que já seja um grande avanço.

Machistas se irritam quando o Feminismo ganha voz e força, mas vocês não passarão! (Chorem mais!)

Gleica Reinert é pós graduanda em Gestão Tributária pelo INPG Business School. Natural de Blumenau – SC, ama música, os animais e aprecia as coisas simples da vida.

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