O financiamento das guerras árabes: Do Stinger aos mísseis TOW

Não é novidade que guerras que ocorrem há gerações nas regiões da África, Oriente Médio e Ásia são financiadas por potências ocidentais, em especial, os Estados Unidos. Num espaço de algumas décadas podemos ver a intervenção militar estadunidense em dois conflitos políticos importantíssimos na região: na Guerra do Afeganistão (1979-1989) e atualmente na Guerra da Síria (2011-contínua).

A Guerra do Afeganistão – 1979/1989:

Como os mísseis Stinger mudaram o rumo da guerra

Durante a Guerra do Afeganistão as forças militares soviéticas possuíam uma vantagem tática com os seus helicópteros e tanques. Os Mujahideen afegãos, apesar de possuírem experiência de combate nas guerras locais, não tinham mais do que alguns fuzis velhos, rifles de caça e metralhadoras e explosivos tomados do exército soviético, usavam táticas de guerrilha montados a cavalo para aproveitar a vantagem de um terreno montanhoso e emboscando as forças inimigas em combates isolados e em pequena escala.

11222945_10208227883517636_2066684041649114974_n

Os soviéticos conseguiam derrotar qualquer força de combate em terreno aberto com seus tanques T-54 e T-62 e seus helicópteros Mi-24. Os helicópteros eram ainda mais importantes pois no terreno montanhoso uma incursão de veículos blindados era impossível, então a vantagem da força área soviética era o que traçava o rumo desse conflito.

Com a clara vantagem das forças soviéticas o ocidente responde com a “Operação Ciclone” iniciada no governo de Jimmy Carter e continuada com o governo Ronald Reagan, a operação consistia em formar, armar e dar apoio contínuo a milícias anticomunistas no Afeganistão. Com esse apoio os rebeldes tiveram acesso a armamentos eficazes contra a força área soviética e com a introdução dos mísseis FIM-92 Stinger de fabricação estadunidense, ao final de 1989 os soviéticos já haviam perdido mais de 230 veículos aéreos, dentre eles mais de 70 helicópteros de ataque e 30 jatos de combate.

A Guerra na Síria – 2011/Atual:

Como os mísseis T.O.W. impedem o avanço da luta contra o Estado Islâmico

Desde o ano de 2011 a Síria sofre com uma guerra civil, reflexo da instabilidade política na região devido a intervenção dos Estados Unidos nos governos locais. Com o início da “Guerra ao Terror”, proposta do George W. Bush em 2001 após os atentados do World Trade Center, continuada pelo governo de Barack Obama, o governo estadunidense usa o pretexto de “ataques preventivos” para invadir e assassinar milhares de árabes diretamente e indiretamente, destruindo anos de avanços sociais de alguns governos locais e transformando regiões antes prósperas em praças de guerra sob a barbárie de grupos extremistas que executa estudantes, fuzilam, esquartejam, crucificam e imolam um que seja opositor a seus ideais.

A maior parte dos países da região, com exceção de Israel, Arábia Saudita e Egito, possuem uma força aérea limitada, tornando suas unidades de combate em terra a principal força do exército. Levando em conta que a maior parte da região em que ocorrem os conflitos são cidades ou terrenos abertos no deserto ou nas montanhas, os veículos blindados são de valor inestimável nesses cenários e aí estava a principal vantagem do exército do governo Sírio em relação aos rebeldes financiados pelos Estados Unidos.

Já em 2012, os Estados Unidos e a OTAN comunicaram publicamente que iriam fornecer ajuda material para o Exército Livre da Síria(sic) e que assim estariam ajudando o povo sírio a derrubar o governo de Bashar Al-Assad, o problema é que, posteriormente, o ELS se tornaria parte do que conhecemos hoje como Estado Islâmico. Com a derrota das forças rebeldes na Síria, em grande parte devido ao apoio popular ao governo de Assad, boa parte das forças treinadas e financiadas pelos EUA se uniram a outras frentes radicais islâmicas como o al-Nusra e outros grupos islâmicos sunitas que defendem um califado islâmico na região.

Atualmente, as plataformas de mísseis TOW apresentam uma ameaça real e constante as forças que combatem o avanço do Estado Islâmico na região e novamente esse tipo de armamento foi parar lá através dos Estados Unidos.

12191897_10208227882717616_479400155727725081_n

EUA – A Fantástica Fábrica de Terroristas

Não é a primeira e nem a última vez que os Estados Unidos interferem diretamente na política interna de outros países, desde o final da Segunda Guerra Mundial os EUA já interviram militarmente em dezenas de conflitos regionais para impedir o avanço de governos que não se alinhassem com suas políticas econômicas. Seja no Oriente Médio ou na América Latina, os EUA têm se mostrado a maior escola de terroristas do planeta.

Comentários