O que fazer quando o governo declara guerra ao seu povo?

Muitos jovens que estão ocupando as escolas no Estado de São Paulo foram surpreendidos com um áudio que vazou de uma reunião com o chefe de gabinete da secretaria da educação. No áudio que pode ser acessado nesse link, o chefe de gabinete Fernando Padula Novaes diz que o governo deve adotar uma postura de guerra contra as escolas ocupadas, que a “reorganização” será aplicada sem negociação e que os grupos que ocupam as escolas precisam ser desmoralizados. Poucas horas depois, a escola Guiomar Camolesi Souza, no Jardim Maria Eugênia, Sorocaba, foi atacada por um grupo armado que rendeu os alunos e roubou diversos equipamentos eletrônicos, a PM foi acionada mas nada fez! Além disso, na edição de hoje do SPTV, da emissora Globo, o jornal mostrou cenas da escola E.E. Coronel Sampaio que foi atacada na tarde de segunda-feira por um grupo desconhecido que ateou fogo na escola, quebrou equipamentos e roubou computadores com a PM parada na porta da escola! Enquanto a matéria rolava, a emissora (des)informava o povo dizendo que a depredação foi causada por atos de vandalismo dos alunos!

Um ato desesperado ou uma política de estado?

É comum ouvir o argumento de que a Polícia Militar é despreparada, discordo completamente dessa afirmação! A PM é um órgão que tem um objetivo simples na sociedade: defender os interesses do Estado. O Estado burguês tem um objetivo claro também: defender os interesses das “elites econômicas” (empresários, latifundiários, especuladores, banqueiros…).

A violência de estado é aplicada sistematicamente, e não é de hoje! Hoje, os estudantes descobriram o que é ter o governo declarando guerra abertamente contra sua luta, mas esse sentimento já foi experimentado por outros grupos que lutam há anos por uma sociedade mais justa!

Grupos como o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), organizações populares de bairro como a Frente de Luta por Moradia (FLM) e o Movimento Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) e outros grupos de minorias pobres que lutam por uma reforma social já sabem há décadas o que é viver em guerra com o Estado. Seus líderes são assassinados no campo, presos sob falsas acusações, vítimas crimes forjados pelo Estado para desmoralizar os movimentos! Hoje os estudantes secundaristas sentiram isso!

Como superar a intervenção de um Estado Terrorista?

O governo se preparou para uma guerra contra o seu povo, isso é fato! Seja com a desculpa das Olimpíadas ou da Copa do Mundo, vimos o governo preparar um cenário de guerra contra o seu povo. Comunidades militarizadas com a UPP, moradores sofrendo abusos diários de polícias que matam, extorquem e estupram moradores sem qualquer preocupação em serem punidos! O serviço de inteligência do governo prendeu e perseguiu centenas de manifestantes durante os atos contra a copa do mundo, chegando a pedir a “prisão preventiva” de manifestantes e quebrando o sigilo e a privacidade de seus cidadão sem nenhuma justificativa legal!

Apesar da luta ser dura e desigual, o povo consegue triunfar! Grupos populares mostraram que com a disciplina e a organização é possível enfrentar esse Estado autoritário e antipopular! Sigam os exemplos de organização do MST, do MTST, da FLM, do MLB! Grupos que atuam dentro da esfera política mas não possuem medo de praticar ações diretas como ocupações e denúncias públicas contra as empresas que exploram do povo! Grupos que lutam por um causa tão forte que só podem ser construídos através de colaboração, disciplina e resistência.

A revolução deve vir do povo!

Nós, como trabalhadores e trabalhadoras! Donos de todas as riquezas que produzimos! Que temos nosso suor roubado pelo patrão, que nada produz mas tudo possui! Não podemos mais aceitar que o governo, a instituição que deveria representar o povo e dele emanar o seu poder, atue somente para benefício dos exploradores! Patrões que constroem suas riquezas através da miséria de todos nós! Não aceitaremos mais migalhas! Não aceitaremos mais reformas que só prejudicam os trabalhadores enquanto blindam os exploradores! Queremos um futuro novo, e queremos AGORA!

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