Quartelada não! Ninguém merece uma nova noite!

Eu estava pensando em escrever sobre outro assunto hoje, mas não é possível deixar de ter posicionamento sobre as colunas publicadas hoje no jornal O Globo.

No início, pedidos de intervenção militar eram coisa de maluquetes. É bastante normal protestar contra o atual governo. Quando há crise econômica, escândalos de corrupção e epidemias, há protestos contra governo, independente do partido e da cor ideológica do governo. Mas pedir intervenção militar é coisa de demente. E agora, a demência chegou (novamente) à redação do jornal O Globo.

Ricardo Noblat e Merval Pereira alertaram seus leitores que os militares estão aí para garantir a ordem. Fizeram um nhemnhemnhem de que não se trata de golpe, mas deram a entender que aprovariam alguma ação que envolvesse força. Ricardo Noblat e Merval Pereira, embora tenham idade avançada, são dois moleques.

Sabemos muito bem o que ocorreu na última vez em que os militares garantiram a ordem e a democracia com o apoio do Globo. Este jornal apoiou não apenas o golpe em 1964, como também o AI-5 em 1968 (ano em que Merval Pereira entrou no jornal), e ainda fez um editorial em 1984, exaltando o regime que estava saindo de cena e mostrando o não arrependimento do apoio do jornal.

Mesmo sem fardados intervindo, já é preocupante a escalada autoritária que está ocorrendo no Brasil. Isto pode ser visto na prisão do morador de rua que carregava pinho sol. Na prisão de ativistas no Rio de Janeiro em 2014, motivada por provas que não conhecemos. Na violenta repressão policial a manifestantes em São Paulo, Paraná e Goiás em 2015 e 2016. Na prisão prolongada dos manifestantes de Goiás. No teor da proposta de lei antiterrorismo, que não visa combater exatamente o terrorismo. Na lei eleitoral feita com o propósito de excluir o PSOL dos debates. Na intimidação a pequenos doadores do PSOL feita pelo Ministério Público Eleitoral. Na ameaça que a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo fez em fazer interpelação judicial contra jornalistas que contestam dados oficiais de homicídios. E não esquecendo: a arbitrariedade que mesmo nos 31 anos de “democracia” nunca deixou de atingir as pessoas que vivem abaixo da linha de pobreza.

Nosso país vive em crepúsculo. Vamos esperar que não chegue uma nova noite.

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