Precisamos falar sobre Mídia

Debater o papel social e político da mídia na atualidade é fundamental para compreendermos sua influência nas configurações sociais e do exercício de poder. Entendo por mídia o conjunto de instituições que operam, por tecnologias específicas, no favorecimento da comunicação humana. Acredito que a função ética desse conjunto de instituições é justamente proporcionar e operacionalizar informações que respeitem a complexidade dos fatos noticiados e de fato informem consistentemente os cidadãos.

 

Vivemos o auge das tecnologias de informações, isso nos remete a duas constatações básicas: Primeiro, o lado positivo, é que o avanço tecnológico permite desmonopolizar o rumo editorial dos tradicionais veículos de comunicação (tudo bem, há nessa parte uma discussão aberta sobre a efetividade disso no momento, mas deixo para abordar sobre ulteriormente). Por outro, vivemos uma era de fragmentação dos fatos e uma tempestade de notícias, onde é difícil organizar, checar a veracidade e buscar inclusive informações que possibilitem outras versões sobre o mesmo fato.

 

Imagino eu, caro leitor, que essa última constatação tem todo um problema que nosso hábito contemporâneo enfrenta. Podemos dizer que vivemos a era do efêmero, do flash de notícia, do compartilhamento de supostos acontecimentos sem checar se é real, do sensacionalismo e da busca de ibope. Se ao mesmo tempo essas novas ferramentas são essenciais para a descentralização da informação, por outro lado o seu uso tem-se caracterizado de forma irracional e propiciado espaço inadequado para espalhar boatos difamatórios, ou falsas notícias que pouco contribuem para o conhecimento e o exercício da cidadania dos leitores/receptores. Aqui temos o primeiro desafio de nosso tempo: repensar o uso das novas ferramentas de informação e conscientizar para o uso de forma construtiva.

 

Falar é fácil realmente, mas temos potencialidade de criarmos um contradiscurso capaz de abalar o dominante, oportunizando para população acesso a informações para além da vertente editorial, aberto à complexidade dos fatos, instigando o pensar. Precisamos atingir principalmente os  nossos jovens através desses novos espaços e criar uma geração que de fato privilegie a informação em sua complexidade. É desafiador, ou utópico para alguns, mas se não tivermos essa disposição cederemos constantemente ao imediato, ao dado e possivelmente ao que induz, com mais facilidade, aos equívocos.
 falar sobre midia

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