Hélio Gurovitz, o gerador automático de textos de direita

Hélio Gurovitz é colunista do G1. Quando começou a escrever suas colunas no portal no início do ano passado, se apresentou como liberal em economia e contra o politicamente correto. Havia 22.534 colunistas assim na mídia comercial brasileira. Depois dele, passou a haver 22.535. Então por que falar deste colunista? Porque o G1 é o portal de notícias mais lido do Brasil.

Os textos de Hélio Gurovitz parecem textos produzidos por geradores automáticos de textos de direita. Hélio Gurovitz não é igual a Olavo de Carvalho, Diogo Mainardi, Reinaldo Azevedo, Rodrigo Constantino, Rachel Sheherazade, Luís Felipe Pondé e Danilo Gentili. Diferente destes, o objetivo de Gurovitz não é a provocação. Ele não escreve com o objetivo de ser odiado pelas pessoas com opiniões diferentes das dele. Ele é sério. Ainda assim, seus textos são repletos de chavões de direita.

No primeiro semestre de 2015, o Hélio Gurovitz chegou a escrever texto lambendo o saco do Eduardo Cunha. Relacionou visão negativa do Presidente da Câmara com propaganda do PT. Nisso, o colunista do G1 fez companhia para Reinaldo Azevedo, Marco Antônio Villa e Rachel Sheherazade. As contas na Suíça ainda não eram conhecidas. Mas as picaretagens dos tempos de Telerj e Cehab já eram. E mesmo se Eduardo Cunha não fosse corrupto, os lambe saco dele merecem ser criticados. Qualquer pessoa civilizada deveria repudiar o autor de um projeto de lei que tenta dificultar o aborto para vítimas de estupro. Hélio Gurovitz muito provavelmente não defende este projeto de lei, mas é do tipo que pensa “foda-se”. O colunista defende o projeto que permite a terceirização das atividades fim e o que permite o financiamento de campanhas eleitorais por pessoa jurídica. Por isso, tinha simpatia por Eduardo Cunha. Ou seja, o colunista é dos muitos na mídia comercial brasileira que defende a pauta da direita econômica, mas não a pauta da direita religiosa, porém, não vê problema em alianças de conveniência com a direita religiosa. Atualmente, para tentar consertar a cagada, o colunista do G1 critica com frequência o Eduardo Cunha.

Um dos chavões de direita recentemente utilizados por Hélio Gurovitz foi o de nivelar os torturadores da ditadura militar com os guerrilheiros. Reclamou da desproporção entre as muitas críticas a Jair Bolsonaro por ter exaltado Brilhante Ulstra e as poucas críticas a Glauber Braga por ter exaltado Carlos Marighella. A ditadura militar brasileira é a única ditadura que gerou uma considerável leva de “formadores de opinião” que nivela repressores e opositores da repressão. Ninguém pensa em nivelar os soldados da SS com os oficiais alemães que tentaram explodir Hitler em 1944. Ao reclamar da falta de críticas a Glauber Braga, Hélio Gurovitz ainda mencionou uma suposta tendência esquerdista da imprensa. Essa mesma imprensa que o emprega. Sim, isso mesmo. Hélio Gurovitz é colunista do G1. Leonardo Sakamoto não é colunista do G1. Os principais donos da imprensa brasileira são os marinhos, os civitas, os mesquitas e os frias. E mesmo assim, o colunista do G1 tirou da bunda uma suposta tendência esquerdista da imprensa.

Em um texto sobre a polarização entre coxinhas e mortadelas, Hélio Gurovitz afirmou que são dois grupos desiguais, escreveu como se apenas os mortadelas fossem geradores de males. Essa visão maniqueísta apresenta o risco de justificar os atos violentos praticados por coxinhas. Embora, seja importante destacar, ele não justificou atos violentos praticados por coxinhas. Mas difundir uma visão muito maniqueísta pode incentivar outras pessoas a fazerem isso.

Hélio Gurovitz tem o hábito de falar mal do Donald Trump. Vários direitistas fazem isso, porque Trump não é o tipo de direita que a direita mainstream gosta. Por causa de Gurovitz e de alguns outros “formadores de opinião” que falam mal do Donald Trump, cheguei até a tentar ter alguma simpatia pelo político republicano norte-americano. Hehehe. Mas não é possível, o cara é o cão.

O G1, assim como o Jornal Nacional, era a face isentona das Organizações Globo. Este conglomerado veste mais a camisa de suas posições políticas no Jornal da Globo, na Globonews, na CBN, no jornal O Globo e na Revista Época. Mas os textos de Hélio Gurovitz ajudam a dar uma poluidinha na face isentona. Ah, e por falar na Revista Época, foi sob o comando de Hélio Gurovitz que esta revista ficou cada vez mais parecida com a Veja.

helio gurovitz

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