Declaração de voto: Marcelo Freixo prefeito (50), Renato Cinco vereador (50555)

Meu principal trabalho no Trincheiras não é fazer política partidária. Não tenho qualquer objeção à política partidária. Mas decidi que o que mais me ocuparia aqui seriam temas mais teóricos porque percebi que havia poucas pessoas fazendo isso, e que era necessário haver mais pessoas nesta atividade. Porém, como este site é político, não é possível ficar alheio ao período de eleição.

Vou votar no Marcelo Freixo, PSOL, número 50, para prefeito do Rio de Janeiro. Acredito que a forma de gerir a cidade precisa mudar, para tornar o Rio de Janeiro uma cidade menos excludente, com uma gestão mais participativa e voltada para o cidadão. As mais recentes gestões foram mais voltadas para o business, que é necessário, mas que precisa estar a serviço da cidade, e não o oposto. O exemplo mais claro disso foi a revitalização da região portuária, que deixou a área mais bonita, mas desperdiçou a oportunidade de criar mais moradias populares no centro, o que ajudaria até mesmo a diminuir o problema da superlotação do transporte público.

Desde 1992, quando César Maia foi eleito, o Rio de Janeiro é governado pelos mesmos. Luís Paulo Conde, candidato de Maia, foi eleito em 1996. Maia voltou em 2000 e ficou até 2008, quando Eduardo Paes foi eleito. Este, apesar de naquele tempo ter estado em lado diferente na política nacional, é cria de César Maia. Todas estas gestões tiveram algumas realizações positivas, mas mantiveram um conservadorismo feito sob o discurso da tecnocracia. Foi um modelo que já se esgotou.

Há três candidatos de centro-direita em 2016: Pedro Paulo, Índio da Costa e Carlos Osório. O primeiro é cria de Eduardo Paes, o segundo é cria de César Maia e o terceiro já participou da administração atual. Ou seja, são três candidatos bastante parecidos. Entre os candidatos no campo conservador, ainda há Flávio Bolsonaro, representando a extrema-direita militarista, e Marcelo Crivella, identificado com igreja evangélica pentecostal.

Os três candidatos no campo progressista – Marcelo Freixo, Jandira Feghali e Alessandro Molon – são bons candidatos. Têm trajetória política respeitável. Mas Marcelo Freixo tem melhores condições de representar a alternativa progressista.

Jandira Feghali apoiou Eduardo Paes em 2012. Isto não a torna uma pessoa ruim. É a realpolitik, que às vezes é necessária. Mas não estou falando de julgar moralmente as pessoas, e sim de fazer opção política. Se há um objetivo em eleger uma candidatura de oposição, esta não seria a melhor. Além disso, a candidatura de Marcelo Freixo vem sendo preparada há quatro anos. A candidatura de Jandira Feghali só existe porque Pedro Paulo votou a favor do impeachment. Em 2015, Lula apareceu em uma foto ao lado de Eduardo Paes, Sérgio Cabral, Luiz Fernando Pezão e Pedro Paulo. A probabilidade de Marcelo Freixo vencer um segundo turno é modesta. A probabilidade de Jandira Feghali vencer um segundo turno é quase nula. A rejeição de Jandira Feghali é uma das maiores. Ela é identificada com a administração Dilma, que terminou com um dígito de aprovação.

O Alessandro Molon sempre foi um bom deputado, mas pouco sabemos sobre o seu partido.

Algumas pessoas, mesmo de esquerda, têm um pouco de restrição em votar no PSOL para cargos no Poder Executivo por considerar que o PSOL não quer realmente exercer o cargo no Poder Executivo, quer apenas utilizar a eleição para o Poder Executivo para divulgar as ideias do partido e ajudar eleger alguns nomes para o Poder Legislativo. Essas pessoas consideram que um voto no PSOL para o Poder Executivo seria um voto de protesto, um voto para eleger uma voz de oposição, e não um governante. Isto realmente ocorreu com a candidatura presidencial de Plínio Sampaio (admirável figura) em 2010. Ele mesmo admitiu que foi uma anticandidatura.

Mas o mesmo não é possível falar da candidatura de Marcelo Freixo. Ele vem elaborando o programa de governo há muito tempo, com o auxílio de moradores da cidade do Rio de Janeiro e de acadêmicos. A página dele no Facebook e seu site oficial www.marcelofreixo.com.br trazem mais informações. É importante consultar. Na página no Facebook, inclusive há um vídeo mostrando quem são os acadêmicos que estão elaborando o programa de Freixo e que poderiam compor sua administração.

No Rio de Janeiro, como o PT e o PCdoB acabaram quase que desaparecendo por causa da participação nos governos estadual e municipal do PMDB, o PSOL afastou da extrema-esquerda e ocupou o espaço vazio deixado pelos partidos de extrema-esquerda. Ainda assim, a aliança com o PCB foi importante para mostrar que o PSOL não abandonou sua base original.

Alguns perguntam: com que bancada na Câmara dos Vereadores ele vai governar? Bom, em 2012, o PSOL elegeu quatro vereadores. Se ele vencer a eleição para prefeito, obviamente serão mais pessoas que teriam votado em candidatos do PSOL para vereador. Mas é certo que o PSOL não terá maioria absoluta. Porém, um chefe de Executivo recém eleito tem uma popularidade inicial, e pegaria muito mal para a carreira política dos vereadores de outros partidos mostrar que estão sabotando o governo.

E para aqueles que pensam “não concordo com Eduardo Paes em várias coisas, não gosto da biografia do Pedro Paulo, mas não quero trocar o certo pelo duvidoso, discordo em algumas prioridades desta administração, mas sei que tem pessoas competentes”, eu pergunto: o “certo” é ter ciclovia ponte que cai, ciclovia no chão com poste no meio, buracos no recém inaugurado BRT Galeão-Barra, alagamentos? Isto é competência? E sabemos que poste é sempre pior do que o original, várias experiências mostram isso. Postes que ganham eleição são aqueles que sucedem administração com alto índice de aprovação. A do Eduardo Paes não é assim: aproximadamente um terço considera ótima/boa, um terço regular e um terço ruim/péssima.

Anos atrás, era possível dizer que votar no PSOL não era escolher um candidato para governar, e sim marcar posição. Na eleição municipal do Rio de Janeiro de 2016, a situação se inverteu. Sinceramente, eu duvido até mesmo que apoiadores da Jandira Feghali tenham esperança de que ela vai conseguir mais de 50% dos votos válidos no segundo turno. Acredito que a motivação desta candidatura é muito mais tentar reacender a chama do petismo/pecedobismo no Rio de Janeiro, apagada por anos na sombra do PMDB.

Por fim, é importante enfatizar que são muito tolas as críticas que algumas pessoas de esquerda fazem ao Marcelo Freixo. Entre estas críticas estão a de que ele só tem apoio na Zona Sul, que seus apoiadores fazem cirandas e que ele seria igual o Gabeira ou a Soninha, ou seja, alguém que só é progressista nas questões sociais, mas que não é de esquerda sob o ponto de vista da luta de classes. Não é verdade que Marcelo Freixo só tem apoio na Zona Sul. Ele teve 28% dos votos válidos em 2012. Realmente, ele teve mais de 40% em algumas zonas da Zona Sul. Mas ele não teve menos de 15% em qualquer zona eleitoral da cidade. Seu pior desempenho ocorreu em Campo Grande, na Zona Oeste, onde ele evita fazer campanha fora das avenidas principais por causa do perigo representado pelas milícias. Freixo teve entre 20% e 25% em zonas eleitorais muito pobres na Zona Norte. E quem pensa que o candidato melhor é sempre o que tem mais apoio dos pobres, tem que achar que Marcelo Crivella é o melhor de todos. Marcelo Freixo tem apoio de simpatizantes de causas feministas, pró-LGBT e descriminalização da maconha, tem apoio de artistas, mas também tem apoio de líderes de comunidades, de pessoas removidas, de sindicato de professores, de sindicato de garis, de militantes do movimento dos sem teto. Marcelo Freixo é a favor das bandeiras progressistas pós-1968, mas ao contrário de Gabeira e Soninha, nunca abandonou as bandeiras da esquerda tradicional.

Meu candidato a vereador é Renato Cinco, 50555. Ele é um candidato muito importante para defender a educação pública de ataques dos fundamentalistas e dos mercadistas. É importante não votar na legenda, uma vez que com a reforma eleitoral, candidatos com poucos votos não são eleitos, mesmo que seu partido consiga as cadeiras.

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