O que Olavo de Carvalho escreveu sobre integralismo, Franco, Salazar e Mussolini

Quem propaga a tese de que o nacional socialismo seria de esquerda é aquele tipo de direitista rudimentar que acha que tudo que é “de direita” tem que ser necessariamente bom e que por isso é necessário se livrar do filho feio. Trata-se do raciocínio do tipo “minha noiva nunca se atrasa porque se ela se atrasar não será mais minha noiva”. Conforme já foi discutido neste texto (clique no link se desejar ler), há dois tipos de propagadores da tese de que o nacional socialismo seria de esquerda. O primeiro tipo é o que acha que ser de direita significa defender a liberdade, e que portanto nenhuma tirania poderia ser de direita. (um completo desconhecimento da história da divisão esquerda/direita). O segundo tipo é o que gosta de ditaduras “moderadas” de direita e utiliza o “Hitler foi eleito” como desculpa para justificar golpes contra governos de esquerda eleitos pelo povo na América Latina.

Em geral, quem faz parte do segundo tipo tem Olavo de Carvalho como maior referência intelectual, embora quem faz parte do primeiro também pode ter. Olavo de Carvalho nunca falou bem do Hitler (ufa), mas vejam uma coletânea do que ele escreveu sobre integralismo, Franco, Salazar e Mussolini. Todas as citações têm link para o respectivo texto, para evitar reclamações como “você tirou a frase do contexto”.

 

Integralismo

“O integralismo foi um fascismo abrandado e inofensivo, um ultranacionalismo sem racismo, que celebrava a glória de índios, negros e caboclos. Entre os líderes do movimento havia, é verdade, um anti-semita declarado, o excêntrico historiador e cronista Gustavo Barroso, maluco não desprovido de talento, várias vezes presidente da Academia Brasileira. Mas, quando começou para valer a perseguição aos judeus na Alemanha e todos os bem-pensantes do mundo fizeram vistas grossas, foi do chefe supremo do integralismo, Plínio Salgado, que partiu uma das primeiras mensagens de protesto que chegaram à mesa do Führer (e na certa foi direto para o lixo).”

“Os escritos de Plínio hoje nos parecem melosos e de um hiperbolismo delirante. Politicamente, seu único pecado é a completa tolice. Moralmente, são inatacáveis. Ademais, o integralismo era católico – e sob o nazismo os católicos, convém não esquecer, eram o terceiro grupo na lista dos candidatos ao campo de concentração, depois dos judeus e dos politicamente inconvenientes”

“Reale ante os medíocres”, Jornal da Tarde, 21 de dezembro de 2000

http://www.olavodecarvalho.org/semana/reale.htm

Comentário: Muito provavelmente os bem-pensantes do mundo não fizeram vistas grossas, apenas suas mensagens de protesto simplesmente não chegariam à mesa do Führer, e foi engraçado Olavo ter escrito “politicamente inconvenientes” ao invés de “comunistas”

 

Franco

“É notório que o general rebelde obteve ajuda técnica e militar da Itália e da Alemanha, mas sem nada ceder a esses incômodos fornecedores (os únicos de que dispunha), defendendo a soberania do seu país com obstinada teimosia, timbrando em manter a neutralidade espanhola durante a II Guerra contra todas as pressões de Hitler e Mussolini e ainda concedendo abrigo a judeus foragidos, no mínimo como agradecimento à comunidade judaica de Valencia que ajudara a financiar sua rebelião.”

“Umas ditaduras são mais iguais do que as outras: Brasil – Mentira IV”, Diário do Comércio, 27 de abril de 2009

http://www.olavodecarvalho.org/semana/090427dc.html

“Moralmente falando, Francisco Franco, Charles de Gaule ou Humberto Castelo Branco, homens de uma idoneidade pessoal exemplar, foram infinitamente superiores a Fidel Castro ou Che Guevara, assassinos em série de seus próprios amigos, isto para não falar de Mao Dzedong, estuprador compulsivo.”

“Causas sagradas”, Diário do Comércio, 17 de janeiro de 2012

http://www.olavodecarvalho.org/semana/120117dc.html

Comentário: Por que o exemplarmente idôneo e moral Generalíssimo só recebeu ajuda da Itália e da Alemanha? Talvez por afinidade ideológica com Hitler e Mussolini, não é mesmo? E por que um país destruído em uma guerra civil entraria em outra grande guerra logo depois? Por que o Generalíssimo seria burro em além de tudo entrar no lado que iria perder? Ainda houve voluntários espanhóis para ajudar os nazistas na União Soviética

 

Salazar

“Não tenho a menor dúvida de que Antonio de Oliveira Salazar foi um homem honesto e um grande administrador. Mas o salazarismo foi infectado da mesma ambição de controle burocrático total que é característica do movimento revolucionário.”

Bruno Garschagen entrevista Olavo de Carvalho, janeiro de 2008

http://www.olavodecarvalho.org/textos/0801entrevista.html

Comentário: Comovente, o Professor Doutor era honesto e grande administrador mas se tinha algum defeito o defeito só poderia ser porque foi infectado pelo “movimento revolucionário”

 

Mussolini

“Mussolini, no começo, era de fato o único antinazista entre os governantes europeus, os quais, isolando-o, acabaram por forçá-lo a mudar de lado, o que acabou por destrui-lo. Também é fato que ele nunca foi anti-semita, mas isso não o absolve do patente racismo antinegro que o impediu de enxergar que a invasão da Abissínia era tão injusta e imoral quanto a da Áustria.”

Postagem no Facebook, 1 de setembro de 2016

“Até Mussolini saiu do governo quando a monarquia mandou. Mas o PT não sai nem quando o povo inteiro manda.”

Postagem no Facebook, 14 de novembro de 2015

Na maior parte das nações onde imperou, o fascismo tendeu antes a um autoritarismo brando, que não só limitava o uso da violência aos seus inimigos armados mais perigosos, mas tolerava a coexistência com poderes hostis e concorrentes. Na própria Itália de Mussolini o governo fascista aceitou a concorrência da monarquia e da Igreja – o que já basta, na análise muito pertinente de Hannah Arendt, para excluí-lo da categoria de “totalitarismo”.

“Mentira temível”, 8 de agosto de 2008

http://www.olavodecarvalho.org/semana/080808dc.html

Comentário: O líder italiano obedecia um rei. Que democrata!

 

Ditaduras anticomunistas em geral

“Vocês já notaram que SÓ nos países católicos foi possível oferecer uma resistência séria ao comunismo? Espanha, Portugal, Itália, Hungria, Polônia, México, Filipinas, o próprio Brasil, mostraram que Antônio Gramsci tinha razão ao declarar que o principal inimigo do comunismo não era o capitalismo e sim a Igreja Católica. O Brasil só se tornou vulnerável ao comunismo quando a Igreja no nosso país se corrompeu e grande parte da população perdeu a fé. Ou expulsamos os traidores de dentro da Igreja, ou será impossível salvar o Brasil.”

Postagem no Facebook, 18 de setembro de 2013

Comentário: Os Estados Unidos e os países do norte da Europa, de maioria protestante, foram as democracias liberais mais estáveis e tiveram partidos comunistas minúsculos. Muitos países do sul, do leste da Europa e da América Latina, de maioria católica, tiveram grandes partidos comunistas e também ditaduras anticomunistas. Parece que o auto-intitulado filósofo prefere as ditaduras anticomunistas às democracias liberais.

 

 

Lendo tudo isso, é possível perceber a grande ginástica argumentativa que é exigida para manter o raciocínio de que tudo o que é de direita é bom, e que tudo que é ruim tem que ser necessariamente de esquerda. É um contorcionismo retórico muito grande ao mesmo tempo considerar que o nacional socialismo era de esquerda e ter como referência intelectual um “pensador” que defende virtudes de líderes e movimentos nacionalistas anticomunistas que existiram na mesma época do nacional-socialismo e que tiveram colaboração.

É dura a vida de quem odeia a esquerda, fala que Hitler era de esquerda, mas que concorda com quem exalta o Generalíssimo Francisco Franco, aquele que chegou ao poder com a ajuda da Legião Condor do esquerdista Hitler.

pedrinho

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