Como hackear o sistema político brasileiro nas eleições de 2018

James Connolly do Santa

Boa parte das tragédias que vimos de 2015 pra cá, entre outros motivos, pode ter sua origem traçada no fato de que a direita brasileira soube se aproveitar de uma situação em grande medida vantajosa. O impeachment e as reformas não seriam possíveis se não houvesse um PT burro o suficiente para negligenciar a importância de uma base sólida no legislativo e na sociedade, e confiar em “mercenários”; e um PSDEMB blindado pela mídia e pelo Judiciário, e bastante ladino para reconhecer e fazer uso de um núcleo insatisfeito com a aliança com o PT dentro do PMDB. Este, por sua vez, soube se utilizar do centrão fisiológico de sempre (o “PMDB fora do PMDB”) e de elementos da extrema direita que angariaram visibilidade e votos nas eleições de 2014. Deu no que deu.

Para 2018, considerando que tenhamos uma eleição nesta data, é possível reverter boa parte dos estragos que o grupo que atualmente está no poder fez neste período. O solo está fértil e arado pra isso: é a profunda impopularidade de seus principais atores e de suas políticas, rejeitadas por pelo menos 70% da população nas sondagens mais otimistas para a atual camarilha. Mas para isso é preciso fazer tudo certo, e não tenho certeza de que os principais caciques da esquerda institucional brasileira estariam dispostos a fazer isso. Seguem minhas sugestões do que se pode fazer:

 – Foco no legislativo: ficou claro, após o impeachment, que quem tem o Executivo não tem nada. O verdadeiro objetivo da esquerda e associados (como por exemplo os trabalhistas verdadeiros) deve ser o de ocupar pelo menos 45% da Câmara dos Deputados, se não quiser que nenhum absurdo enviado por qualquer governo conservador passe. Por mais conservador que um presidente seja, ele vai precisar negociar se quiser que a mínima legislação ordinária passe ou não seja vetada;

– O fim do sectarismo: o grande objetivo deve ser o de evitar que essas reformas passem, então uma espécie de “pacto de não-agressão” deve ser estabelecido entre o grupo que gravita em torno do PT e a oposição institucional de esquerda. E porque não ceder espaço até mesmo pra notórios desconhecidos nas Assembleias Legislativas, por exemplo? Afinal, no frigir dos ovos ambos vão votar mais ou menos do mesmo jeito contra iniciativas antipopulares e pró-população. É possível ser feito um acordo mínimo sobre até onde vai a parceria, deixando a crítica livre a partir de determinado ponto. Em determinados estados, como o RJ, por exemplo, o PSOL tem mais chances de eleger deputados do que o PT e seus aliados. O inverso se aplica a, digamos, SP. Uma análise fria e racional de cada estado deveria definir em quem os esforços deveriam ser centrados; – A escolha das apostas: a análise de cenário nos estados depende necessariamente da força local que cada grupo político possui em cada região. Voltando para os dois maiores colégios eleitorais: quem tem mais chances de conseguir votação massiva no RJ, Freixo ou Benedita (com a vantagem de que o psolista manteria sua proteção contra tentativas de assassinato da milícia)? E em SP, quem teria mais votos, Lula ou Safatle?

– O uso dos medalhões: aqui reside o ponto mais polêmico de minha sugestão. É inegável que gente como Lula, Marina ou Ciro possuem plenas capacidades de vencer uma eleição primária. Mas de que adianta esse pessoal ganhar se não tem base no Congresso? Qualquer um, até Marina com seus “notáveis”, estará sujeito a tomar um impeachment nas fuças se entregar o legislativo ao fisiologismo. E verdade seja dita, as figuras citadas são maiores que seus respectivos partidos e não possuem grandes nomes nos estados, onde poderiam levar 4, 5 cadeiras de uma tacada só. Então, para ter sucesso nessa tática, talvez seja preciso cortar na carne e ceder as candidaturas majoritárias a nobres desconhecidos (ma non troppo) e engordar as bancadas estaduais em Brasília. Por mim, Marina poderia se candidatar no AC (ou em SP, onde abocanharia uma boa quantidade de tilelismo urbano), Lula poderia se candidatar em SP (ou em PE, onde provavelmente levaria 80% da bancada estadual) e Ciro poderia se candidatar no CE. Tudo isso poderia estar inserido em uma ampla campanha, suprapartidária e suprachapa, chamada “Ajude a barrar quem ferra os trabalhadores”. Ela teria o mesmo teor da campanha (https://www.tactical2017.com/) que, supostamente, teria ajudado os trabalhistas a ter uma de suas maiores votações nos últimos anos nas eleições inglesas deste ano. Ela identificava qual candidato de oposição tinha mais chance de vencer uma eleição em cada distrito eleitoral e recomendava voto por lá. Fizeram uma tabela com as opções e a disponibilizaram no Google Docs, recebendo atualizações diárias. Tal medida seria de grande ajuda aqui no Brasil.

hackeando voto

O que dizer no elevador sobre assuntos quentes do momento?

Uma das principais finalidades de jornais virtuais como Trincheiras e Voyager e de páginas no Facebook como Anarcomixugos e Meu Professor de História é transmitir conteúdo ao público geral. Grande parte deste conteúdo transmitido pelos veículos mencionados consiste em rebater mitos, lendas, equívocos e confusões difundidos por militantes virtuais de direita e por colunistas de direita presentes na mídia empresarial brasileira. Os criadores do Trincheiras, Voyager, Anarcomixugos e Meu Professor de História perceberam que o que é publicado na Internet forma opinião, mesmo que o conteúdo publicado seja o mais absurdo possível. Por isso, não é possível desprezar a Internet como meio de debate político. Mas normalmente, os jornais virtuais mencionados e até mesmo as páginas mencionadas publicam textos razoavelmente longos, cujas ideias demoram para fixar na cabeça das pessoas.

Por isso, este texto se dedica a mostrar ideias resumidas sobre vários assuntos muito debatidos nas redes sociais. Muitas dessas ideias resumidas são versões curtas de textos publicados na Trincheiras e na Voyager. Como estão escritas em poucas palavras, estas ideias são fáceis de entender, memorizar e até mesmo responder rapidamente para pessoas que perguntam sobre esses temas dentro de um elevador. Houve tentativa de fazer com que as ideias pudessem ser apresentadas no curto tempo em que o elevador* se desloca rumo ao andar de destino.

Junto com cada texto pequeno, tem um link para textos maiores com explicações mais detalhadas.

É livre a confecção de memes com os textos pequenos, desde que eles não sejam modificados sem prévia autorização.

 

* o elevador foi só um dos muitos exemplos de momentos em que encontramos pessoas por tempo curto. Também pode ser corredor, mesa de refeição, fila, sala de espera, entorno da cafeteira ou do bebedouro…

 

Afastamento da Dilma

 

Por que você fala que o impedimento da Dilma foi um golpe? O impedimento não está na Constituição?

 

A Constituição prevê a possibilidade de impedimento de ocupantes de cargos públicos em caso de crimes de responsabilidade, há uma lei bastante ampla e vaga sobre crimes de responsabilidade. Mas mesmo que exista base legal, que Dilma tenha feito algumas coisas que podem ser enquadradas como crime de responsabilidade, e olha que alguns juristas questionam até isso, é muito óbvio que os principais mobilizadores a favor do impedimento da Dilma estavam cagando para esses tais “crimes de responsabilidade”. Basta ver os discursos deles, que sempre relacionavam a derrubada da Dilma com “a necessidade de fazer as reformas”. A motivação do impedimento da Dilma foi claramente impor um governo que implementasse a agenda de candidatos derrotados nas eleições, que implementasse uma agenda que jamais seria aprovada pelas urnas. A derrubada da Dilma pode ser considerada um golpe parlamentar porque o legislativo fez algo que não deveria existir no Brasil, que tem um sistema presidencialista: dar um voto de desconfiança e trocar o chefe do executivo. Podemos fazer analogias. Sabemos que a lei proíbe pais e mães darem bebida alcoólica para adolescentes, mas muitos bons pais e mães de família fazem isso. Vamos supor que em uma cidade, um desafeto de um juiz é flagrado pelo vizinho dando cerveja para seus filhos adolescentes. Aí o juiz resolve condenar (talvez até o juiz dê uma cervejinha para seus filhos adolescentes). Fica óbvio que a motivação da condenação é vingança e não cumprir a lei, mesmo que esta lei exista. Outra analogia. No serviço púbico, um chefe odeia um servidor. Aí ele resolve transferi-lo para uma repartição localizada em uma região bem rural, longe de grandes centros urbanos. A transferência, mesmo teoricamente legal, pode ser contestada na Justiça caso se comprove a motivação de vingança.

http://www.trincheiras.com.br/2016/04/a-falta-de-legitimidade-de-um-governo-michel-temer/

 

 

Mas e o Collor em 1992, também foi golpe?

 

Mais ou menos. Também a denúncia do crime de responsabilidade foi muito fraca, também o verdadeiro “crime de responsabilidade” foi a economia ruim e a popularidade baixa, também o legislativo se comportou como se tivesse dando um voto de desconfiança do parlamentarismo, mas teve duas diferenças fundamentais. A primeira é que não houve grande ruptura no governo Itamar Franco em comparação com o governo Collor. Michel Temer foi colocado no lugar da Dilma, para fazer um governo igual seria o do Aécio se ele tivesse sido eleito, mas o Itamar não foi colocado no lugar do Collor para fazer um governo igual seria o do Lula. A segunda é que Itamar Franco, diferente de Michel Temer, se comportou como um vice-presidente deve se comportar e ficou sentado aguardando sua vez, não fez corpo a corpo pelos votos na Câmara a favor do impedimento.

http://www.trincheiras.com.br/2016/09/545-milhoes-de-votos-de-2014-e-372-milhoes-de-votos-de-1993-foram-jogados-no-lixo/

 

 

Mas o que aconteceu no Brasil em 2016 não foi bem diferente do que aconteceu no Chile em 1973, quando um governo foi derrubado à força e foi instalado um regime autoritário logo a seguir?

 

Sim, foram acontecimentos diferentes. Mas tanto terremoto 4 na Escala Richter, quanto terremoto 9 nesta escala são chamados de terremoto.

 

 

Mas se a Dilma tivesse continuado o Brasil não teria caído em um buraco ainda mais profundo?

 

Se fosse assim, isso seria bastante benéfico para a antiga oposição de direita, composta por PSDB e DEM, que nesse caso ganharam com muita facilidade as eleições de 2018. Mas se esses dois partidos não quiseram esperar até 2018, muito provavelmente não acreditam com convicção nesta hipótese. Apenas defendem esta hipótese de boca pra fora porque é mais conveniente.

http://www.trincheiras.com.br/2016/12/indicios-de-que-o-impeachment-comecou-a-ser-combinado-em-2013/

 

 

Economia

 

 

Uma das principais medidas do governo que assumiu depois do afastamento da Dilma foi uma emenda constitucional estabelecendo que a despesa da União não pode ser maior do que a atual nos próximos 20 anos. Isto não é necessário para equilibrar as contas, que estão em desequilíbrio?

 

É bastante desonesto dizer que tem que fixar o quanto se deve gastar em 2035 para equilibrar as contas da União em 2017. Nenhum outro país fez isso. A intenção dos apoiadores desta emenda não é equilibrar as contas, e sim diminuir o tamanho do Estado de Bem Estar Social nos próximos 20 anos. Não se trata de diminuir as despesas para simplesmente torná-las igual à receita, e sim diminuir tanto a despesa, quanto a receita no longo prazo. Se o PIB crescer a uma média de 3% ao ano nos próximos 20 anos, a despesa da União recuará de 20% para 12% do PIB. Será uma grande catástrofe congelar a despesa atual em saúde, uma vez que a população está envelhecendo. Como em situações normais uma medida dessas jamais teria apoio popular, aproveita-se uma situação de pânico com a atual crise econômica. Além disso, esta emenda é antidemocrática. O tamanho da despesa da União em 2032 deveria ser decidida pelo presidente da República e pelo Congresso eleitos em 2030, e não pelo Congresso eleito em 2014.

http://www.trincheiras.com.br/2016/10/refutando-os-argumentos-mais-frequentemente-utilizados-pelos-defensores-da-pec-241/

http://www.trincheiras.com.br/2016/10/coletanea-de-textos-contra-a-pec-241/

 

 

O ranking de liberdade econômica da Heritage Foundation mostra que entre os países de economia mais liberal do mundo estão os países mais desenvolvidos do mundo e entre os países de economia menos liberal do mundo estão os países menos desenvolvidos do mundo. Entre os países de economia mais liberal do mundo estão até mesmo os países escandinavos, dos quais os esquerdistas falam tão bem. Não seria um indício de que é melhor ter uma economia liberal?

 

Este argumento é horrível por dois motivos. O primeiro motivo é que correlação não quer dizer causalidade. É possível que os países com economia liberal sejam mais desenvolvidos porque o desenvolvimento propiciou a possibilidade de liberalizar a economia e não porque a liberalização da economia possibilitou o desenvolvimento. O economista sul coreano Ha Joon Chang mostrou que os países desenvolvidos primeiro atingiram o desenvolvimento, depois liberalizaram suas economias, e que isto vale inclusive para seu próprio país. O segundo motivo é que o ranking é viesado. Os países mais desenvolvidos estão no topo do ranking porque, em muitos critérios, o ranking mede o quanto os países são desenvolvidos, e não o quanto os países têm economia liberal. Corrupção baixa e bom funcionamento da administração pública são critérios deste ranking. Quesitos como carga tributária tem peso baixo, e por isso os países nórdicos podem estar no topo deste ranking mesmo tendo elevada carga tributária.

http://www.trincheiras.com.br/2016/07/a-falacia-do-indice-de-liberdade-economica-da-heritage-foundation/

 

 

Um economista precisa ser conservador para ser sério? Não existe algo parecido com os Institutos de Economia da Unicamp e da UFRJ fora do Brasil. Lá fora, quase todos os economistas são ortodoxos.

 

Existem alguns economistas heterodoxos espalhados em algumas universidades do mundo inteiro, embora eles sejam minoria. Mas ser minoria não é um demérito. Muitas vezes, as ciências evoluem quando se descobre que aquilo que uma minoria de cientistas defendia passa a ser visto como verdadeiro pela maioria. Isto vale bastante para a ciência econômica. Muito do que é aceito economia ortodoxa surgiu de contribuições de heterodoxos, como o modelo de concorrência imperfeita, o efeito da política fiscal no produto no curto prazo. E a divisão entre ortodoxia e heterodoxia não é a mesma coisa do que a divisão entre direita e esquerda. Joseph Stiglitz e Paul Krugman são ortodoxos, Ludwig von Mises era heterodoxo. No Brasil, os centros de pensamento econômico heterodoxo atraem esquerdistas, e por isso, os ortodoxos brasileiros são muito conservadores. Mas os economistas ortodoxos fora do Brasil, em geral, não são tão conservadores quanto os brasileiros. Por fim, quem diz que economista precisa ser conservador para ser sério costuma dizer que existem provas científicas de que distribuição atrapalha o crescimento, e os não conservadores não seriam sérios por negar isso. Bom, mesmo que fosse verdade que existissem provas científicas de que distribuição atrapalha crescimento, não existem provas científicas de que crescimento é sempre mais importante do que distribuição. E por fim: economistas clássicos como John Stuart Mill, Leon Walras, Alfred Marshall, e Paul Douglas (o da função de Cobb Douglas) não eram ideologicamente conservadores se tomado como referência o período em que viveram.

http://www.trincheiras.com.br/2015/10/e-necessario-ser-de-direita-para-ser-um-bom-economista/

 

 

Para fazer um ajuste fiscal, é possível apenas cortar gastos, uma vez que os brasileiros já pagam tanto imposto que não tem onde aumentar?

 

Não. Os pobres e a classe média pagam elevados impostos no Brasil. Mas os ricos pagam pouco imposto. O sistema tributário brasileiro é composto em sua maior parte por impostos sobre consumo, que pesam mais no bolso dos mais pobres, porque consomem maior parcela da renda. Os impostos sobre renda e propriedade, que pesam mais no bolso dos ricos, são bastante modestos no Brasil. O Brasil é o único país do mundo além da Estônia que não tributa dividendos. A alíquota marginal máxima do imposto de renda de pessoa física no Brasil, de 27,5%, é uma das mais baixas do mundo. Na maioria dos países civilizados, esta alíquota passa de 40%. A alíquota máxima do imposto de herança no Brasil, de 4%, é ridícula. O imposto sobre grandes fortunas foi estabelecido pela Constituição de 1988 e até hoje aguarda regulamentação. E mesmo sobre a afirmativa de que pagamos muitos impostos, é necessário um pouco de cautela. A carga tributária no Brasil aproxima-se de 40%, é maior do que a de países com PIB per capita semelhante ao nosso. Mas nenhum país que tem um sistema público universal gratuito de saúde, previdência pública universal e universidades públicas gratuitas tem carga tributária muito menor do que essa.

http://www.trincheiras.com.br/2016/01/entendendo-como-a-carga-tributaria-no-brasil-pesa-mais-no-bolso-do-pobre-e-rico-paga-pouco-imposto/

 

 

Vocês falam mal de capitalistas, mas os capitalistas não trabalham até mais do que os trabalhadores?

 

Administrar uma empresa é muito mais estressante do que simplesmente ser um empregado assalariado. Capitalista não é quem administra a empresa, é quem é dono de parte ou de todo o capital desta empresa e recebe parte do lucro por causa disso. O administrador da empresa é um trabalhador. Um capitalista pode também administrar a empresa, mas neste caso ele está acumulando funções, não é o fato dele administrar a empresa que faz dele um capitalista

 

 

Li em uma revista de negócios que teve um país que implementou uma agenda econômica defendida por partidos de direita, chamada de neoliberal pelos esquerdistas, e a economia desse país está indo muito bem.

 

Devemos ter olhar crítico aos países garoto propaganda utilizados por este tipo de publicação. Em primeiro lugar, temos que questionar “a economia desse país está indo bem para quem?”. A renda pode estar crescendo, mas de forma concentrada. O desemprego aberto pode estar baixo, mas às custas de muito emprego precário. Em segundo lugar, a matéria da revista pode ter feito um cherry-picking. Pode ter selecionado apenas as políticas que o país em questão implementou e a revista defende, mas esse país pode ter também implementado políticas que a revista não defende, e estas a matéria pode ter ignorado. Em terceiro lugar, talvez o contra-argumento mais importante, em um mundo onde existe uma economia global e política feita por estados nacionais soberanos, existe um caso típico de Dilema dos Prisioneiros da Teoria dos Jogos. Se um país isoladamente adotar políticas conservadoras, vai se beneficiar disso, mas se todos imitarem, ninguém sairá beneficiado. Quando um país diminui impostos, ele atrai capitais. Quando um país diminui a proteção aos trabalhadores, ele consegue exportar mercadorias mais baratas. Mas se todos os países imitam, o efeito é anulado. No imediato pós segunda guerra mundial, na era Bretton Woods, todos os países desenvolvidos implementaram juntos políticas que hoje seriam consideradas de esquerda, e tiveram excelente desempenho da economia no período.

http://www.trincheiras.com.br/2016/02/sobre-aquela-historia-dos-paises-que-fizeram-politicas-conservadoras-e-estao-bem/

http://voyager1.net/economia/a-suecia-e-seu-desenvolvimentismo-a-estrategia-que-rechacou-a-ideia-de-estado-minimo/

 

 

As universidades públicas brasileiras são gratuitas, mas só filho de rico estuda nelas. Não é hipócrita quem defende melhor distribuição de renda no Brasil defender a gratuidade das universidades?

 

As universidades estaduais paulistas continuam tendo um perfil elitizado de estudantes, embora também haja filhos de pessoas de baixa renda, as universidades federais já não têm mais perfil elitizado. Muitas vezes, quem defende a cobrança não defende políticas de ação afirmativa. A introdução da cobrança poderia ser uma barreira adicional ao ingresso de estudantes de baixa renda, uma vez que eles dependeriam de crédito e já iniciariam sua vida profissional com dívida. E sobre a questão distributiva, que tal pensar antes em fazer uma reforma tributária progressiva e acabar com os supersalários dos Poderes Judiciário e Legislativo?

http://www.trincheiras.com.br/2016/06/os-neoliberais-e-o-efeito-distributivo/

 

 

 

Educação

 

 

E sobre o Escola Sem Partido (ESP)? O movimento não tem uma reinvindicação justa ao defender que escola é lugar de ensinar e não de fazer doutrinação partidária?

 

De fato, escola não é lugar onde professores devem incentivar alunos a preferir este ou aquele partido, esta ou aquela orientação política. Por isso, algumas pessoas ingênuas podem ter visão simpática ao ESP. Mas na verdade, a verdadeira intenção do movimento não é essa. O ESP é apoiado por comentaristas e políticos de direita que falam mal apenas de doutrinação esquerdista, dando a entender que eles seriam simpáticos à doutrinação direitista. Por isso, opositores do ESP ironicamente chamam o movimento de Escola do Meu Partido. Além disso, em disciplinas que não são Exatas, como História e Geografia, é inevitável que professores selecionem temas e autores conforme sua visão de mundo. Utilizar obras de historiadores e geógrafos esquerdistas para preparar aulas não é fazer doutrinação. Não existe uma maneira objetiva de ensinar História e Geografia. Para piorar, o ESP inclui conservadores religiosos que desejam remover das aulas de ciências naturais teorias que entram em choque com religiões, mesmo que essas teorias sejam plenamente aceitas pela comunidade científica. O grande exemplo é a Teoria da Evolução. O ESP quer proibir ensinar coisas para os alunos que entrem em choque com o que os alunos aprendem dos pais. Mas se não fosse para ensinar coisas diferentes que os alunos aprendem dos pais, não haveria a necessidade de existir escolas. Em resumo, o Escola Sem Partido é uma tentativa de introduzir censura e obscurantismo na atividade docente.

http://www.trincheiras.com.br/2016/04/o-escola-hahaha-sem-partido-e-a-censura-a-atividade-docente/

 

 

As faculdades de ciências humanas das universidades públicas brasileiras são dominadas por marxistas?

 

Não. E se realmente fossem, o questionamento deveria ser: por que candidatos anti marxistas a docente seriam tão incompetentes para passar no concurso? Se você responder que os concursos nas humanas das universidades públicas brasileiras seriam viesados, eu pergunto: se os concursos são viesados, por que os anti marxistas não estão demonstrando todo o brilhante conhecimento deles em universidades no exterior? As faculdades de ciências humanas das universidades públicas brasileiras não são dominadas por marxistas, e se fossem, você deveria cobrar os anti marxistas, e não os marxistas.

 

 

Quem não aceita o ensino do design inteligente nas aulas de ciências não está sendo tão intolerante quanto quem deseja proibir o ensino da teoria da evolução. Qual é o problema dos estudantes aprenderem duas visões e terem a oportunidade de fazer um juízo próprio?

 

O que deve ser ensinado nas aulas de ciências nas escolas é o conhecimento consolidado pela comunidade científica. Os biólogos, em sua esmagadora maioria, defendem a teoria da evolução. Os portadores do diploma de química e biologia que defendem o criacionismo não conseguem publicar artigos em revistas acadêmicas especializadas. Não faltam evidências de que a teoria da evolução é verdadeira. Esta teoria só encontra muita rejeição porque contradiz livros sagrados religiosos. Vamos pensar nas outras ciências: devemos dar espaço igual para quem quer ensinar que 2+2=4 e para quem quer ensinar que 2+2=22? Devemos dar espaço igual para quem quer ensinar que o Império Romano existiu e para quem quer ensinar que o Império Romano não existiu?

https://www.youtube.com/watch?v=k3GmM7bgKx4&list=PLet1ZJ4fv0cpIz9c29WIU3MUyTr5DwixR

 

 

O Brasil tem uma educação horrível. Sempre ocupa as últimas posições do PISA. A causa disso seria o excesso de ideologia de esquerda que dificulta a introdução de boas práticas que são aquelas introduzidas nas empresas privadas?

 

O que você entende por “boas práticas que são aquelas introduzidas nas empresas privadas”? Remuneração por desempenho? Muitos estados e municípios já fazem remuneração variável dos professores por desempenho de acordo com resultados dos estudantes em avaliações externas há mais de dez anos, e até agora os resultados não apareceram. A Finlândia tem um dos melhores sistemas educacionais do mundo com um modelo completamente público, sem gestão de escolas por empresas, e sem remuneração dos professores por desempenho.

http://www.trincheiras.com.br/2017/05/a-guerra-politica-de-trincheiras-na-educacao-brasileira/

 

 

 

História

 

 

O período do Império foi um período de grande prosperidade para o Brasil?

 

Não. Foi no século XIX que o Brasil mais ficou para trás em PIB per capita em comparação com Estados Unidos e Europa Ocidental. No final do século XIX, Argentina e México já começaram a deslanchar mais do que o Brasil. Embora monarquistas gostem de dizer que a família real era contra a escravidão, o mínimo que podemos dizer é que o imperador foi incompetente, uma vez que as repúblicas de língua espanhola das Américas aboliram a escravidão no máximo até a década de 1850. Peru e México já tinham universidades desde o século XVII, o Brasil foi ter sua primeira universidade em 1920, já no tempo da república. A Argentina iniciou uma política de alfabetização em massa no final do século XIX. O mesmo não ocorreu com o Brasil.

http://www.trincheiras.com.br/2016/11/sobre-a-tal-da-prosperidade-do-brasil-no-tempo-do-imperio/

 

O nome do partido do Hitler era Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, a bandeira tinha cor vermelha e sua política econômica tinha intervencionismo estatal. Por que este partido é considerado de extrema-direita?

 

Hitler chegou ao poder em 1933 com o apoio não apenas do Partido Nacional Socialista como também dos demais partidos de direita, com apoio do ex-kaiser, com apoio dos mercados financeiros, e com a oposição dos social democratas e dos comunistas. Se os nacional socialistas foram de esquerda, por que um partido de esquerda teria apoio de todos os partidos de direita e do capital e teria rejeição dos partidos de esquerda? Já no poder, Hitler apoiou Franco na Guerra Civil Espanhola contra um governo esquerdista, o mesmo Franco que é elogiado por escritores conservadores incluindo gurus intelectuais daqueles que dizem que o nazismo era de esquerda. Na Segunda Guerra Mundial, os nazistas tiveram muito mais interesse em enfrentar a União Soviética do que enfrentar os aliados ocidentais. Os nazistas praticaram políticas keynesianas para recuperar a economia alemã, mas keynesianismo não é incompatível com direita. A divisão esquerda/direita surgiu na Revolução Francesa e nunca teve a ver com disputa entre mais ou menos intervenção do Estado na economia, e sim com disputa entre igualitarismo e hierarquia. O intervencionismo nazista congelou salários e aumentou lucros. Os nazistas realizaram até mesmo privatizações. O Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães surgiu logo depois da Primeira Guerra Mundial. Sempre teve ideias anti-marxistas, sempre condenou a luta de classes e nunca defendeu a coletivização de todos os meios de produção. Mas como não defendia o liberalismo econômico e fazia críticas a capitalistas, usou o nome “socialista”, o que era comum na Alemanha daquele tempo. Vários partidos da República de Weimar tinham “social”, “socialista” ou “popular” no nome. Pegava bem naquele tempo. A crítica dos nacional socialistas aos capitalistas foram bastante abrandadas depois de 1933, quando os nacional socialistas receberam apoio de capitalistas. Nome nunca quis dizer muita coisa. Vários partidos brasileiros surgidos nos anos 1980 tinham “social”, “socialista” e “trabalhista” no nome, e nem por isso foram de esquerda.

http://www.trincheiras.com.br/2015/12/hitler-era-de-extrema-direita-sim/

http://www.trincheiras.com.br/2017/01/deveria-haver-uma-campanha-contra-o-negacionismo-do-fato-de-que-hitler-era-de-extrema-direita/

http://voyager1.net/filosofia/o-nazifascismo-e-de-direita-uma-abordagem-filosofica/

http://voyager1.net/historia/pare-de-achar-que-liberalismo-e-fascismo-sao-opostos/

 

 

Muito se fala nas atrocidades cometidas por Hitler. Mas e o Stalin? Ele não é meio esquecido?

 

Não é possível nivelar Hitler e Stálin. O ditador soviético foi responsável pela execução e pelas mortes em cárcere de muitos opositores do seu regime, e também de meros suspeitos de serem opositores, o que já é horrível. O ditador austríaco/alemão foi responsável pelo genocídio planejado de etnias, matando pessoas simplesmente por serem dessas etnias, incluindo crianças. Os campos nazistas eram fábricas de morte, com o uso de câmaras de gás. Nos campos do Gulag morreram muitas pessoas de fome, frio, doenças e exaustão, principalmente durante a Segunda Guerra Mundial, quando faltavam bens para todos, mas o Gulag não foi planejado para a morte. Muitos ficaram presos por um tempo e foram libertados depois de ter cumprido pena. Importante também comparar a ocupação alemã da URSS de 1941 a 1944 com a ocupação soviética do leste alemão de 1945 a 1949.

http://www.trincheiras.com.br/2016/03/stalin-nao-foi-pior-do-que-hitler-nem-mesmo-equivalente/

 

 

 

Típicas perguntas sobre esquerda e direita

 

 

Muita gente era de esquerda quando jovem e muda para a direita depois que envelhece. Tem até aquela frase que diz que “quem tem menos de 30 e não é de esquerda não tem coração, quem tem mais de 30 e ainda é de esquerda não tem cérebro”. Mudar para a direita não é sinal de amadurecimento?

 

Não. Existem políticos e intelectuais que se deslocaram para a direita quando envelheceram, mas também existem políticos e intelectuais que se deslocaram para a esquerda quando envelheceram. Observar só o primeiro caso é fazer cherry-picking. Há inúmeros exemplos do segundo caso. Na política brasileira, Teotônio Vilela e Ciro Gomes foram exemplos notórios de deslocamento para a esquerda. Podemos lembrar ainda que Dom Helder Câmara e Santiago Dantas foram integralistas quando jovens. Plínio de Arruda Sampaio começou sua carreira política como um democrata-cristão, foi um dos fundadores do PT sendo uma das vozes mais moderadas deste partido, e perto do seu falecimento, era uma das vozes mais radicais do PSOL. Fora do Brasil, podemos ver como grandes exemplos o ex-presidente socialista francês François Mitterrand, que militou na extrema-direita na década de 1930. O progressista Papa Francisco era o conservador Cardeal Bergoglio, que ficou em silêncio durante a ditadura militar na Argentina. Hillary Clinton, quando ainda estava no high school em 1964, apoiou o candidato ultraconservador Barry Goldwater. A senadora democrata Elizabeth Warren, da ala esquerda do partido e possível presidenciável em 2020, foi republicana até 1996. Importantes líderes democratas sulistas como Lyndon Johnson, Jimmy Carter, Bill Clinton e Al Gore eram bem mais conservadores quando jovens do que quando velhos. Os economistas John Kenneth Galbraith e Paul Krugman se esquerdizaram bastante depois de velhos. E muitos jovens esquerdistas que viram direitistas não fazem essa mudança necessariamente por causa de amadurecimento. Muitas vezes, tratam-se de filhos de famílias ricas que têm a fase rebelde e depois “o bom filho à casa retorna”.

http://www.trincheiras.com.br/2016/06/quem-andou-para-a-esquerda-quando-ficou-mais-experiente/

 

 

Vinte anos atrás, era raro alguém se declarar abertamente de direita no Brasil. Nesse meio de tempo, surgiu uma geração de escritores de direita, como Olavo de Carvalho, Diogo Mainardi, Reinaldo Azevedo, Rodrigo Constantino, Luís Felipe Pondé, Danilo Gentili e Leandro Narloch. A direita aprendeu novamente a ir para as ruas, como vimos nos protestos dos camisas amarelas. Não é saudável para a democracia ter uma direita que vende livros e que ocupa as ruas?

 

É saudável para a democracia pessoas terem direito de escrever, ler livros e ocupar as ruas, independentemente de orientação ideológica, mas ninguém tem obrigação de ficar falando se é saudável esse ou aquele grupo ser ativo. Pergunte para os autores mencionados e para os camisas amarelas se é saudável para a democracia ter uma esquerda que vende livros e que ocupa as ruas.

http://www.trincheiras.com.br/2015/10/o-risco-da-opiniao-do-meio-sobre-olavo-de-carvalho-e-similares/

 

 

Há alguns exageros cometidos por essa nova geração de direita. Mas isto não é natural para grupos que por muito tempo ficam reprimidos, e que na hora que se soltam, extravasam?

 

A analogia do pêndulo pode ser utilizada na política. No pêndulo, quando uma bola fica presa em um dos lados e de repente é solta, esta bola não vai para a posição de repouso, mas vai inicialmente para o lado oposto, oscilando até finalmente encontrar repouso no meio. Um dos exemplos da aplicação da analogia do pêndulo pode ser os movimentos de minorias oprimidas. Mas esta analogia não é válida para a direita brasileira. No Brasil, ninguém foi censurado, preso, torturado e executado por defender ideias de direita. A direita brasileira nunca foi reprimida em qualquer momento da história.

 

 

Gente de esquerda é só gente das humanas?

 

Ser das humanas não é demérito, mas houve e há muitos célebres cientistas naturais favoráveis a posições de esquerda, alguns declaradamente socialistas, outros defensores de ideias progressistas em relação a seu tempo. Podemos incluir Stephen Hawking, Stephen Jay Gould, Richard Levins, Nikola Tesla, Mário Schenberg, Marie Curie, Julius Oppenheimer, Jonas Salk, Carl Sagan e Albert Einstein. E mais: alguns cientistas naturais, apesar de não serem de esquerda, se irritam com fundamentalistas religiosos, normalmente vinculados à direita, que desejam censurar partes do ensino de ciências naturais que contradizem religiões e que pregam a não vacinação.

http://voyager1.net/hiperlistas/10-cientistas-progressistas/

 

 

Eu tenho um colega que é comunista e usa smartphone. Existe alguma incoerência entre o discurso e a prática?

 

Não. Os comunistas não são contra o desenvolvimento tecnológico, são apenas críticos de sistemas econômicos que restringem os benefícios do desenvolvimento tecnológico a poucas pessoas. Não podemos confundir bens com o sistema econômico em que esses foram produzidos. Mesmos bens podem ser produzidos em sistemas diferentes. Se os comunistas não pudessem usar smartphone, quem é contra a escravidão não poderia fazer turismo nas igrejas de Ouro Preto. Ah, e smartphones dependem de satélite, e o país que lançou o primeiro satélite foi a União Soviética. A Terceira Revolução Industrial ocorreu no mundo capitalista, mas começou com pesquisas públicas. Podemos perguntar para quem pergunta sobre o “comunista de smartphone” se defensores do Estado mínimo podem prestar concurso público, se críticos dos sindicatos podem desfrutar de férias, fim de semana e licença maternidade.

http://voyager1.net/politica/esquerda-e-o-iphone/

 

 

A Globo mostra beijo gay em novela, tem atores e autores esquerdistas de novela, tem comentaristas que defendem a legalização da maconha, mostra escândalos de corrupção praticados por políticos de direita. Por que os esquerdistas falam que a Globo é de direita?

 

A Globo, assim como outros grandes oligopólios de mídia no Brasil, como Abril e Folha, são abertos às posições progressistas sobre gênero, homossexualidade, drogas e religião, mas na economia, defendem a pauta das associações empresariais e dos bancos. Apoiam as “reformas” previdenciária e trabalhista e a emenda constitucional do teto das despesas da União. Apoiaram o golpe de 1964. Seus especialistas convidados são os de sempre: Raul Veloso nas finanças públicas, Giambiagi na previdência, Amadeo e Pastore no mercado de trabalho, Cláudio Moura de Castro e Gustavo Ioschpe na educação. Uma vez, o programa do William Waack na Globo News teve uma mesa para discutir “esquerda e direita” cujos convidados foram Reinaldo Azevedo, Luís Felipe Pondé e Bolívar Lamounier. Os oligopólios de mídia no Brasil são muitas vezes bastante críticos da velha direita, das oligarquias regionais, mas durante muito tempo blindaram o PSDB de qualquer crítica mais forte.

http://www.trincheiras.com.br/2016/11/sobre-os-quatro-grandes-oligopolios-de-midia-no-brasil/

http://voyager1.net/historia/posicionamento-politico-da-globo/

 

 

Por que os esquerdistas odeiam tanto os liberais? O que os liberais desejam não é a liberdade?

 

Os auto-denominados “liberais” no Brasil, palavra que tem significado bem diferente nos EUA, defendem a liberdade apenas para o capital. Para as pessoas, nem tanto. Ou são omissos ou são abertamente hostis às liberdades quando agentes do Estado matam moradores de favela ou reprimem com violência qualquer manifestação que não seja aquela dos camisas amarelas. Alguns “liberais” brasileiros fazem alianças com fundamentalistas religiosos para imporem sua pauta, defendem a censura da atividade docente no Escola Sem Partido. Alguns indivíduos auto-denominados liberais no Brasil defendem a legalização da maconha, mas organizações auto-denominadas liberais preferem ser neutras sobre o assunto, para atrair também quem é contra a legalização. Ah, e antes que eu esqueça, propriedade intelectual é um tipo de intervenção estatal na economia que muitos auto-denominados liberais defendem (embora outros não). Em poucas palavras: os auto-denominados “liberais” no Brasil utilizam esta palavra porque parece mais bonita, mas eles são na verdade conservadores.

http://voyager1.net/politica/12-fatos-que-provam-que-os-liberais-brasileiros-sao-na-verdade-conservadores/

 

 

 

Segurança pública

 

 

Por que a esquerda fala tanto em desmilitarização da segurança pública? Isto seria desarmar a polícia? Seria passar a existir somente polícia civil?

 

Desmilitarizar não significa nem desarmar a polícia, nem deixar existir somente a polícia civil do jeito que ela é hoje. É fazer com que cada estado tenha uma polícia única e que esta polícia faça o ciclo completo das atividades, investigação e repressão. Esta polícia seria uma corporação civil. Não haveria polícias civis do jeito que são hoje, estas polícias incorporariam as funções da polícia militar. O Brasil é um dos poucos países do mundo que separa as atividades de polícia e que coloca parte das atividades sob responsabilidade de uma corporação militar. Se o Brasil é um notório fracasso em segurança pública, isto é uma evidência de que o modelo não funciona. Os países mais civilizados só têm polícias civis. Nesses países, militares só fazem defesa nacional. Segurança pública e defesa nacional são atividades diferentes e requerem treinamentos diferentes. No Brasil, a bandeira da desmilitarização da polícia é defendida muito mais pela esquerda porque a direita é chucra. Nos Estados Unidos e no Reino Unido as polícias são civis e nem por isso são países esquerdistas. E sabe quem inventou as polícias militares? A Revolução Francesa.

http://voyager1.net/politica/5-fatos-sobre-a-desmilitarizacao-da-policia/

https://www.youtube.com/watch?v=Jxhu8ctP3hQ

 

 

Quem defende a legalização da maconha é quem gosta de fumar maconha?

 

Não necessariamente. É simplesmente quem percebe que as políticas de extinguir o comércio de maconha através da repressão fracassaram, que essas políticas de repressão premiaram os bandidos ao deixar um comércio lucrativo na mão deles, que fomentaram violência entre gangues e entre gangues e polícia. Melhor controlar do que proibir. Além disso, isto libera a polícia para se dedicar mais a combater crimes que geram vítimas. Holanda, Portugal e Colorado mostraram que polícias para a maconha diferentes de simplesmente reprimir com violência não fizeram aumentar o número de dependentes da droga.

 

elevador vermelho