Fidel: “meu escudo é minha moral”

 

Talvez a coisa mais difícil de ser adquirida para si é a autoconsciência daquilo se é perante o mundo material. A ideia não nos molda, mas do contrário, a realidade molda nossas ideias e, assim, quem somos. A propaganda é a arma do negócio: bate no peito muito fácil, mira a lêiser para miragem do consumo daquilo que se não quer e não se precisa. Vendem-nos irrealidades para a massa alienada. A elite tem de domar o rebanho para que ele não se rebele.

A morte de Fidel (último líder revolucionário) mostra que tempos sombrios rondam ao nosso lado. A importância histórica do personagem dentro de determinado contexto é inexorável ao que neandertais reacionários pensam. Como Fidel mesmo disse: “meu escudo é minha moral”.

Chomsky diz que “nos EUA, um em cada seis dólares é gasto em marketing. As pessoas são bombardeadas com propaganda e publicidade todos os dias na televisão, desde a infância. O ideal da vida social é você e seu aparelho de TV”. O imperialismo cria cadelas para resguardarem-se através da ilusão da “liberdade”.

A verdade para esses não importa. Hiroshima e Nagasaki é uma página negra da história da humanidade. Enquanto Fidel “exportou” milhões de médicos e professores para o mundo, o “reino da democracia” – os EUA – a cada dia bota na conta milhões de mortes perpetradas pela “luta contra o autoritarismo”.

Comandante Fidel terá seu nome eternizado na história. Parafraseando Getúlio Vargas em que Fidel Castro saiu da vida para entrar para a história; e esses personagens que difamam-no não terão suas condolências sinceras registradas.

Muito se sabe de um caráter da pessoa numa tragédia. Mas essa manada esquecem que “um revolucionário pode perder tudo: a família, a liberdade, até a vida. Menos a moral”. – Fidel Castro.

 

HASTA LA VICTORIA, SIEMPRE!

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A falácia do “bandido” e da “impunidade”

Programas policiais difundem insegurança e violência. Diariamente, temos nossos lares e locais de trabalho invadidos por programas chamados de “policiais” (não pensamos que sejam dignos desse nome, pois são apenas programas sensacionalistas). Segundo temos visto, esses programas, se arrogam como jornalísticos, nada mais têm sido que divulgadores do pânico e insegurança na população de modo geral. Seus apresentadores falam de caos e impunidade e, entre uma barbaridade e outra, vendem produtos e se promovem politicamente.

Pior ainda, utilizam-se de concessão pública, a radiodifusão, para até mesmo transgredirem as leis, desrespeitando a dignidade das pessoas. Não é difícil ver tais apresentadores defendendo “penas mais duras” ou dizendo frases como “bandido bom é bandido morto”. Fica clara a escolha de quem é o “bandido” que deve ser morto é seletiva; pois bandidos ricos têm complacência desses programas e de seus apresentadores. Além da seletividade, a espetacularização do sofrimento é recorrente nesses programas. Mortes violentas são apresentadas sempre como se fossem um espetáculo, algo que possa ser comercializado e irá dar audiência.

Os reacionários gostam de usar o exemplo: “No Brasil há mais de 50 mil mortes por ano, 50 mil assassinatos”. Mas estes se esquecem de falar que mais de 70% das vítimas desses homicídios são os pobres, negros e favelados vítimas da guerra às drogas, da criminalização da pobreza, do racismo e do extermínio policial. E o mais interessante é que esses mesmos defendem a guerra às drogas, criminalizam a pobreza, e defendem e fazem de tudo para legitimar o extermínio policial.

A ideologia dominante sempre criminalizou as estratégias alternativas de sobrevivência das classes trabalhadoras excluídas do mercado de trabalho de forma perene ou esporádica. “Bandidos”, “prostitutas”, “traficantes”, “mendigos”, “vagabundos” sempre foram os alvos preferidos do poder punitivo no capitalismo. A mídia de massa em todo o país é especializada em pegar um caso aqui e ali, todos em lugares muito distantes entre si, para passar o senso de pânico e de que a sociedade é violenta como se fosse um palco de guerra. É o mito da “violência generalizada” transmitido pelos programas “policiais”. A dita “realidade” na verdade não passa de um mito, de uma alienação colocando uns contra os outros. Usam apelo emocional para tratar um assunto tão complexo como este. O que não falta são vídeos de PM espancando, atirando e ferindo gravemente pessoas desarmadas e que não estão destruindo nada em manifestações, por exemplo. A PM é um símbolo de atraso no desenvolvimento social no Brasil. Querer o fim da PM é defender a desmilitarização da polícia, e não o “fim” da polícia.

Aliás, o fim da PM é algo que ONU já recomendou ao Brasil em 2012, pois além de ser ineficiente, é despreparada, violenta e corrupta. Seu sistema permite policiais militares sejam apenas julgados internamente, conivente com a impunidade de policiais que violam a lei e os direitos humanos. O treinamento militar não é adequado para forças que irão lidar com a população, não há preparo psicológico e tático voltado para a sociedade, e sim para “inimigos” pelos quais dizem ‘defender’. Além disso, apenas 5% a 8% dos crimes são resolvidos. Ela é um símbolo do atraso do nosso país, quando nenhum país de primeiro mundo (e nem os 9 países mais seguros do mundo) tem a polícia militarizada. Defender a desmilitarização é uma medida sensata e racional após várias análises de estatísticas sociais. Além disso, de acordo com uma pesquisa realizada pelo Centro de Pesquisas Jurídicas Aplicadas da FGV, cerca de 70% dos policiais defendem a desmilitarização da PM.

A política irracional de “Guerras às Drogas” perpetra ainda mais um ideário covarde e eugênico na sociedade – em especial nas classes mais baixas marginalizadas pelos verdadeiros bandidos do “colarinho branco”. Estes que elaboram e legislam leis que não os afete e, o pior; jogam às custas do trabalhador e dos excluídos. O que não faltam são casos de crimes contra essas mesmas classes marginalizadas feitos por ‘senhores engravatados’ posando de moralistas, “defensores da família” e outras idiotices mais.

A ineficácia de políticas sociais e de inserção no mercado de trabalho, garantias mínimas de moradia e educação, facilitam a violência e enraíza uma cultura hierarquizada bem semelhante ao tempo da escravidão. Convém lembrar, por exemplo do caso de dois senadores pegos com 450KG de cocaína onde a mídia abafou o caso.

O relativismo do discurso caricato aparece quando a impunidade existe apenas para os bandidos ricos (que dificilmente seriam presos ou mortos), já que nosso código penal foi feito para atingir as classes mais baixas, fruto de nossa herança colonizadora. E ricos pagam muito bem pela sua defesa, e compram muita gente também. Nosso sistema judiciário ainda é bem suscetível a corrupção e a ilicitudes. O Brasil tem a 4° maior população carcerária do país, dos quais boa parte são presos provisórios e/ou temporários. Por outro lado, os ricos cada vez mais se escapolem entre as brechas por eles feitas.

Falar que há “impunidade” no país só é verídico para os ricos. Bandido mesmo é quem faz e legisla as leis. Já existe até pena de morte não institucionalizada no Brasil entre becos e favelas através das forças repressivas do Estado (burguês) e suas instituições. Entretanto, a criminalidade só aumentou, por motivos óbvios: não é um problema referente ao indivíduo, as causas estão inseridas na estrutura social econômica e sistemática, por isso a criminalidade se reproduz e nunca acaba.

 

Links e referências:

 

http://makaveliteorizando.blogspot.com.br/2015/06/eufinancio-essa-porra-o-debate-sobre.html

https://acervocriticobr.blogspot.com.br/2016/05/a-midia-e-criminalidade_94.html

http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2015/06/23/prisoes-aumentam-e-brasil-tem-4-maior-populacao-carceraria-do-mundo.htm

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Doutrinação Comunista? Não! Educação libertadora

De onde veio essa ideia da “doutrinação marxista”? Ao que parece, essa picuinha começou em 2007 quando o Ali Kamel, um dos diretores executivos da Globo começou a encher o saco por causa dos livros Nova Historia Crítica do Mario Schmit, acusando de fazer propaganda comunista, mas também, pode ser advinda do pseudo-pensador, astrólogo e diarreico mental Olavo de Carvalho, conhecido por suas posições “de direita”, normalmente vinculadas à cultura “letrada” ao qual forma-se uma legião de zumbis com repulsa ao “fantasma vermelho” – comunismo.

O que Olavo se esqueceu de dizer é que a educação é, e sempre foi, um ato político. Não foram os “esquerdistas”, ou Paulo Freire, que inventaram isso. Ensinar é um ato político, a despeito de se ter ou não consciência disso. Não apenas os conteúdos que ensinamos, mas forma pela qual o fazemos.

Acho que as pessoas têm todo o direito de não gostar de Marx ou de Paulo Freire, e de fato há um forte vínculo entre os dois. Mas o legado de Freire vai muito além do marxismo. Aliás, reduzi-lo a ideias comunistas ou doutrinantes é um delírio de quem vê inimigos vermelhos por toda parte. Paulo Freire é uma das grandes referências (se não a maior) da educação brasileira no exterior.

Deixo aqui algumas frases de Paulo Freire para salientar que, de “doutrinação marxista”, a educação libertadora posposta por ele não é, nem longe, uma espécie de rédeas psicológicas ou limitações ideológicas:

“Educação não transforma o mundo. Educação muda pessoas. Pessoas transformam o mundo.”

“Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor”.

educação libertadora

Carta aos Futuros Educadores

* Esse texto foi originalmente publicado no dia 21 de Setembro de 2013 em meu blog pessoal, foram feitas edições mínimas para corrigir alguns erros de publicação.

“Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor” – Paulo Freire

Essa frase do grande pensador e educador Paulo Freire sintetiza com uma precisão perturbadora a atual condição do sistema educacional brasileiro. Um sistema que não oferece perspectivas aos estudantes pobres e excluídos socialmente, um sistema unilateral que não admite a participação dos alunos dentro do programa de aprendizado, que cria um desinteresse generalizado entre os estudantes que não reconhecem na escola um ambiente de desenvolvimento, mas sim de repressão e hostilidade.

Os sintomas desse problema são claros a qualquer um que reflita sobre como anda a educação – principalmente a pública – em nosso país, não é necessário nenhum estudo aprofundado ou uma análise complexa para compreender que a escola, em geral, não é atraente para os jovens, principalmente entre os jovens pobres. Mas a questão que fica é: como atrair o jovem para que possa ter uma formação cidadã e que participe ativamente da formação de nossa sociedade?

Essa pergunta parece ser direta e simples, porém, as respostas podem se demostrar antagônicas de acordo com os discursos adotados, e cabe a nós, professores e futuros professores compreender a realidade do ensino no Brasil e trabalhar com todas as nossas forças para mudar esse quadro vergonhoso que está presente em nossa sociedade.

Os setores mais reacionários culpam os próprios alunos pela sua suposta “incompetência” em adquirir e reproduzir conhecimento – levando em conta que esse discurso não trata o aluno como capaz de produzir nada – argumentando que o aluno não sabe se portar na sala de aula e não possui interesse nenhum em seu próprio desenvolvimento. Esse discurso é tão elitista que se torna até triste ter que contra argumentar, e mais triste ainda ver que professores formados compactuam com essa ideia.

Tratar os alunos como incompetentes é um argumento comum das classes dominantes que, embebidas nos valores individualistas do liberalismo, apelam para uma discurso que invoca a meritocracia e a moral burguesa, com sua defesa de que “todos têm as mesmas oportunidades, basta correr atrás” acusam os excluídos socialmente de não terem a capacidade ou o interesse de se integrar a sociedade sob as regras dos que os exploram e repudiam, em suma, cobrar uma espécie de “cidadania” daqueles que sempre foram tratados como “cidadãos de segunda classe”.

Infelizmente, esse modelo ainda é o que vemos hoje. A escola segue a ideia de que o aluno está lá para “aprender”, não para questionar ou produzir, apenas para acumular e reproduzir – característica marcante dos vestibulares e processos seletivos – para que assim possa se integrar à sociedade, ou seja, após abandonar todos os seus valores, ideias, experiências e negar a sua realidade, o estudante está pronto para ser “aceito” na sociedade.

Diante dessa realidade – que aumenta a evasão escolar, a desvalorização dos professores, o visão da educação como mercadoria e outras formas de segregação como o discurso de autoridade e a criminalização da pobreza – fica como nosso dever, o dever dos professores de uma nova geração, procurar uma solução e aplicá-la dentro da realidade das escolas brasileiras e que atendam às necessidades e expectativas dos estudantes, que antes de estudantes, devem ser considerados cidadãos, e antes disso, como pessoas livres, independentes e capazes!

Após todas essas acusações e críticas, que demostram uma realidade desmotivadora e quase sem esperanças, fica a pergunta “o que fazer?”. Não existe uma solução pronta, intransigente, absoluta ou sagrada, mas sim uma série de mudanças que os professores e professoras podem levar adiante para lutar por uma sociedade mais justa!

O aluno, assim como qualquer outro ser humano, quer ter voz, quer ser ouvido, quer mostrar que também tem poder, que também pensa, que também tem ideias e opiniões! Por esses motivos, é cada vez mais necessário que os professores abram mão da educação como via unilateral, que larguem o discurso de autoridade, que trabalhem com respeito e não com demonstrações de poder e intimidação. Um professor que defende sua posição de “autoridade” com chantagens, ameaças de notas baixas e opressão de qualquer espécie, não merece o título de educador, na verdade, é uma grande vergonha a todos os educadores que uma criatura desse tipo tenha um diploma em Licenciatura.

Precisamos lutar por uma educação inclusiva, que respeite o aluno, sua cultura, sua realidade e suas necessidades! Por um sistema de educação que seja maleável, dinâmico e coerente com as diversas realidades e contradições existentes em nossa sociedade. Uma educação que forme cidadãos, com direitos, voz e consciência. Que repudie com todas as forças qualquer resquício de autoritarismo, violência e opressão dentro das escolas.

Esse é nosso dever, futuros professores e professoras, o dever de levar uma educação inclusiva a todos! O dever de lutar por uma sociedade mais justa e consciente!

E terminando com mais uma citação:

“Se você falar com um homem numa linguagem que ele compreende, isso entra na cabeça dele. Se você falar com ele em sua própria linguagem, você atinge seu coração.” – Nelson Mandela

7 fatos que você precisa saber sobre estagiários

Qualquer pessoa que me conheça minimamente conhece também o fato de que sou estudante de Direito. Talvez essa divulgação se deva ao fato de que muito me orgulho de tal feito, vinda de família pobre e que não vislumbrava a possibilidade de que a empreitada fosse possível. Ocorre que, chegando à metade do curso, me deparo com a disciplina de Direito Trabalhista, que em pouco tempo envolveu-me e, caloura que sou, cá estou me atrevendo a escrever o artigo a seguir de forma um tanto descontraída, tratando da vivência dos estagiários desse Brasilzão. Este artigo em hipótese alguma almeja se comparar aos acadêmicos sérios e chatos que encontramos pelos caminhos da graduação.

As situações descritas abaixo são totalmente hipotéticas, qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.

7 fatos sobre estagiários:

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1. Estagiários não são técnicos de impressora.

A menos que estejam cursando algo que se chama Curso de Manutenção de Impressoras e que a grade curricular contenha carga horária de estágio interno ou externo. Não, estagiários de qualquer outro curso não precisam obrigatoriamente saber desobstruir o entalamento de papel, você mesmo, com as mãos que Odin lhe deu, pode fazê-lo. Muitas máquinas vêm com manual caso haja dificuldade.

2. Estagiários não são baristas.

Aqui outro equívoco, não é tarefa diária dos estagiários fazer cafezinho. Muito menos servir cafezinho.  A menos que esteja no curso de barista e novamente, que se exija estágio na grade curricular. Afinal, o grau de dificuldade dos desenhos na espuma é altíssimo, já tentei mil vezes e percebi que o resultado não teve a intenção de ser arte surrealista.

3. Estagiários não são especialistas em refrigeração e ar condicionado.

Afinal, o botão MODE sempre vem escrito em caixa alta e, caso não dê certo, desligar na parede e ligar novamente não me parece tarefa tão difícil.

4. Estagiários não são técnicos em informática.

O indivíduo que estuda enfermagem com certeza não tem essa disciplina no currículo, não acha? Quando bater aquela vontade de chamar seu estagiário pra criptografar aquele seu arquivo no WinZip, respire fundo, se não souber como fazer dê um Google, mas se ainda assim a tentação não tiver passado, vai pela máxima e reinicie a máquina.

5. Estagiários não são os responsáveis por tudo de errado que acontece.

Que feio fazer caquinha e colocar a culpa em outra pessoa, hein? Ainda mais quando a outra pessoa tem um “emprego” que remunera mal, sem estabilidade alguma e com uma carga enorme, certo? Meça suas ações parça!

6. Levanta a bunda da cadeira e pega.

A impressora tá ali pertinho. O ramal do estagiário não serve pra isso não, viu?

7. Se houverem pausas, estagiários não precisam trabalhar durante elas.

Nem ninguém né?

 

Estagiários estudam, o estágio serve para adquirir vivência, experiência, qualificação. É muitas vezes nessa hora que o estudante define se está na carreira certa, no caminho certo, e você tem papel importante nessa decisão. Sim, é nessa hora que ele erra, e é errando que aprende como diria minha avó. Se você é chefe, colega de trabalho, cliente externo/interno, saiba que estágio não é trabalho secundário. Estagiários não são “reles” secretárias, telefonistas e afins (já ouvi isso), até porque se o fossem (sem o reles), com certeza estariam ganhando muito mais. Não os deprecie, ninguém deve ser tratado como cidadão de segunda classe. Sobretudo lembre-se que ele será seu colega de profissão e, como diria também minha avó, o mundo dá voltas.

Uma introdução crítica à história da educação brasileira

Costumamos pensar que a educação é a panaceia que resolve todos os males da sociedade, isso é verdade? O que seria uma escola ideal? Qual o papel ideal do educador dentro do sistema atual de ensino? Considerando a história da educação no Brasil, estamos perto ou longe desses modelos ideais? Para quem serve a educação atual? E em que pilares ela está posta?

Caracterizar uma escola ideal é uma tarefa difícil para qualquer educador pois temos milhares de correntes pedagógicas e ideológicas que cabem dentro dessa discussão, esse artigo busca um resgate da historia da educação de base no Brasil e o papel do educador na escola atual.

Inicialmente é importante contextualizar a própria questão educacional brasileira. No período de 1930 a 1964, rivalizaram-se dois projetos de nação para o Brasil. O nacional populista, de Getúlio Vargas e setores progressistas da sociedade brasileira, defendia a industrialização do País à base do esforço nacional, sem comprometer a sua soberania. Por sua vez, o projeto das oligarquias tradicionais, ligadas ao setor agrário exportador, previa o desenvolvimento econômico subordinado à liderança dos Estados Unidos da América e representava setores da elite política desalojada do poder em 1930, especialmente os ligados à economia cafeeira paulista. A polarização ganhou fortes cores ideológicas oriundas do ambiente político internacional, dominado pela disputa entre dois blocos, o capitalista e o socialista, marcando a  política nacional pelos conservadores x progressistas.

            A educação, seguindo o exemplo, foi palco de manifestações ideológicas acirradas, pois, desde 1932, interesses opostos vinham disputando espaço no cenário nacional: de um lado, a Igreja Católica e setores conservadores pretendendo manter a hegemonia que mantinham historicamente na condução da política nacional de educação; de outro, setores liberais, progressistas e até mesmo de esquerda, aderindo ao ideário da Escola Nova, propunham uma escola pública para todas as crianças e adolescentes dos sete aos 15 anos de idade.  Essa disputa ideológica atravessou décadas e reformas educacionais sem que o poder público brasileiro edificasse um sistema nacional de escolas públicas para todos

Em 1930 criou-se o ministério de Educação e Saúde publica, chefiado por Francisco Campos criando um Sistema Nacional de Educação, o texto determinou que o ensino secundário ficasse organizado em dois ciclos: o fundamental, de cinco anos, e o complementar, de dois anos. Dessa forma, o ensino secundário compreendia a escolarização imediatamente posterior aos quatro anos do ensino primário e tinha caráter altamente seletivo. A seletividade do ensino secundário e a dicotomia entre ensino profissional e secundário ficaram mantidas, favorecendo os filhos da elite.

Durante o período militar em 64 grandes mudanças estruturais na educação brasileira. A consolidação da sociedade urbano-industrial durante o regime militar transformou a escola pública brasileira, porque na lógica que presidia o regime era necessário um mínimo de escolaridade para que o País ingressasse na fase do “Brasil potência”, conforme veiculavam slogans da ditadura. Porém, essa escola quantitativa não veio aliada a qualidade de ensino, pelo contrário, ela foi rebaixada.  A ditadura militar, ancorada no pensamento tecnocrático e autoritário que acentuou o papel da escola como aparelho ideológico de Estado.

Com o fim da ditadura militar, os governos que se seguiram não cumpriram com a tarefa de melhorar a educação, diversos problemas com a didática e falta de estrutura escolar continuam atingindo o sistema educacional, e piorando a cada ano com o aumento de alunos e falta de investimento publico.  A eleição de Fernando Collor de Melo que poderia significar alguma mudança, manteve obviamente um traço conservador .

A eleição de Fernando Henrique Cardoso é acompanhada da chamada universalização do ensino aumentando ainda mais o ensino publico no Brasil, o que não significava qualidade, mas muito do que se vê hoje, salas abarrotadas e escolas deposito de crianças é, em grande parte, produto da era FHC. O governo FHC, como um todo, fez muito mais mal do que bem à educação brasileira, além da expansão sem qualidade, houve o sucateamento e a ameaça de privatização das Universidades Públicas (algumas chegaram a ter mais professores substitutos que efetivos), vimos o fim das Escolas Técnicas Federais etc. Uma das principais medidas desse governo, que talvez possa ser considerada positiva, é a criação da chamada LDB, Lei de Diretrizes e Bases , que delimita todas as regras educacionais, como devem ser aplicadas, o publico, e toda a estrutura de ensino. Importante lembrar que poucas mudanças foram feitas nessa lei de 1988 até os dias atuais.

Em 2003, Luiz Inácio Lula da Silva assumiu a presidência da República um de seus projetos foi ampliar o Fundo de Desenvolvimento e Manutenção do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef), criado no governo de Fernando Henrique Cardoso e que destinava recursos aos oito anos do ensino fundamental, para Fundo de Desenvolvimento e Manutenção da Educação Básica e de Valorização do Magistério (Fundeb), que abrange a Educação Infantil, o Ensino Fundamental e o Ensino Médio. No que tange ao ensino superior, por outro lado, embora tenha havido um resgate e ampliação da rede pública, o grosso dos investimentos foi destinado ao setor privado.

A partir daí, o que podemos discutir é que a preocupação com a educação no Brasil veio apenas aliada a questão de quantidade (colocar um alto numero de alunos na escola) e não a de qualidade e promoção de aprendizagem da população.

A escola brasileira nunca foi pensada para ser uma escola a serviço dos trabalhadores e muito menos seu conteúdo fora formulado para abranger o que é necessário para vida de cada um. A escola atual é a mesma escola criada a muitos anos atrás para a elite brasileira. Claro que hoje temos um divisão social mais clara entre ensino publico e privado (quase inexistente a anos atrás), porém os conteúdos ensinados na escola, bem como os formatos da mesma não buscam uma ascensão social e nem intelectual para o jovem. Nossa escola ainda tem como moldes (e currículo!) iguais a quase 100 anos atrás. A pergunta que posso deixar aqui é, qual interesse dos governos brasileiros reais na educação? É apenas mais uma promessa descumprida ou além disso, é uma forma de manter a exclusão social por modo da educação?

Nossa realidade, já conhecida é de salas superlotadas (cada dia mais), falta de estrutura, falta de formação real de professores, jornadas excessivas, péssimos salários, violência, mas além disso, temos uma realidade atrasada de ensino. Atrasada em conteúdos e métodos. Além de não termos uma escola para o filho do trabalhador, feita por ele, não temos uma escola que corresponde a realidade atual do nosso país, não temos uma escola que trás as discussões da realidade para sala de aula.

Nesses últimos dias, vimos ser arrancado do Plano Nacional de Educação a questão de gênero dentro da escola,  e esse é só um exemplo de tudo que o país se exime em trazer para a sala de aula. O país exime de trazer a discussão do racismo para a escola, da homofobia para escola, as questões de gêneros e a desigualdade social, o interesse do país é apenas em formar copistas e técnicos, que não pensem e assim não possam combater as desigualdades.

Neste momento fica até difícil falar do papel do educador, o que poderia fazer um educador dentro dessa realidade? É claro que não esquecemos da luta pela educação de qualidade( que não acontecerá dentro desse sistema) , mas para além disso, o que o educador pode fazer para transformar sua sala de aula, e mais ainda, a sua escola e a comunidade que a mesma se insere? Acredito que o papel do professor é trazer para sua sala de aula a realidade dos alunos e dos temas dos seu dia a dia, é trazer discussões  das ruas para dentro da sala, é deixar um pouco de lado o conteúdo antigo e tradicional de modelo burguês e tratar de questões fundamentais para a formação social desses alunos. Outro ponto fundamental é a aproximação da comunidade para dentro da escola, precisamos quebrar seus muros, precisamos parar de trazer a comunidade apenas para momentos de problema dentro da escola, ela precisa construí-la junto, ela precisa estar do lado dos educadores na formação dos alunos, a escola precisa ser realmente democratizada. E para isso acontecer precisamos da participação de país, alunos e professores, precisamos derrubar esse modelo pronto que nos é dado e formar seres sociais.

Essa pequena introdução sobre educação no Brasil vem com a seguinte pergunta para nossa reflexão e futuro debate. A quem serve esse modelo de escola que temos hoje?

Fernanda Lamesa

Fernanda Lamesa é graduada em Geografia pela Universidade Estadual Paulista -UNESP