8 de março: Dia de LUTA.

Dia 8 de março é marcado pelo Dia Internacional da Mulher, uma data histórica que teve seu início marcada por muita luta, e ao mesmo tempo, por muito sangue! Centenas de mulheres foram mortas e queimadas por estarem lutando por seu espaço no mercado de trabalho, na sociedade e no mundo.

Fonte: Divulgação.

Atualmente a mídia transformou esta data em algo comercial, como todas as outras. Ser mulher é motivo suficiente para ganhar presentes, flores, chocolates, etc. O que não costuma ser falado e debatido nesta data é justamente sobre o que ocorre na vida real das mulheres:

No mercado de trabalho, sofremos com a desigualdade de salários e hierarquias.
Na política, nosso espaço é reduzido.
Na rua, somos alvos de cantadas, assédios e piadas.
Nossa roupa é indecente. Nosso cabelo tem que ser liso, comprido e não deve ser chamativo. Nossas pernas tem que estar depiladas, assim como as axilas. Nosso corpo tem que ser magro. Nossa maquiagem tem que ser discreta. Nossas unhas devem estar sempre pintadas, mas de cores claras.

Quando as mulheres engravidam, alguns homens abandonam. Nós, não podemos. Somos julgadas por sermos mães solteiras, por ser mãe e pai ao mesmo tempo, sozinhas, e não conseguir educar nossos filhos da melhor forma. Em casa, temos que ser mães, donas de casa, cuidar do marido e trabalhar fora. E é no conforto do nosso lar que somos ameaçadas pelos nossos companheiros. Ameaças físicas, emocionais e chantagens das mais diversas formas. Mortes… F-E-M-I-N-I-C-Í-D-I-O-S!
Mulheres negras, além de tudo isso citado anteriormente, tem que conviver com o racismo que reflete na falta de oportunidades, violência, discriminação, etc.

Chamam mulheres lésbicas de sapatão. Travestis, Transexuais e Transgêneros são putas. Mulheres bissexuais são indecisas e safadas. Mulheres pertencentes ao grupo LGBTT sofrem em dobro, pois além de todos os cuidados por ser mulher, ainda precisa lidar com a homofobia e as mais diversas formas de preconceito.

Fonte: Divulgação.

As estatísticas mostram que:

“– 55% dos homens admitem ter xingado, empurrado, ameaçado, ter dado tapa, impedido de sair de casa, proibido de sair à noite, impedido o uso de determinada roupa, humilhado em público, obrigado a ter relações sexuais, entre outras agressões às parceiras;
– 48% dos homens acham errado a mulher sair sozinha com os amigos, sem a companhia do marido, namorado ou “ficante”;
– 43% dos jovens afirmaram já terem visto a mãe ser agredida pelo parceiro;
– 41% das pessoas entrevistadas conhecem alguém que foi violento com a parceira

Precisamos reconhecer o machismo da nossa sociedade e das nossas instituições para combatê-lo! Precisamos falar de gênero nas escolas, precisamos de ações que previnam e enfrentem todas as formas de violência, precisamos de delegacias da mulher e de abrigos com atendimento especializado!

Relatório completo da pesquisa aqui (Dados Instituto Avon e Data Popular, 2014).
Publicado por Coletivo Feminista Casa da Mãe Joana em Sexta, 4 de março de 2016.”

É por esses motivos e tantos outros que esta não é uma data para se comemorar. É uma data para refletir, para ajudar, para ouvir e estender à mão a todas as mulheres.

Não dê flores nem presentes… Troque-os por mais respeito, mais carinho, mais amor e MENOS DOR.
As flores eu ofereço à todas as guerreiras que infelizmente não conseguiram escapar desse mundo cruel e hoje não estão mais entre nós.

Hoje o dia é de LUTO e ao mesmo tempo, um pedido de PAZ!

Feministas: Nós existimos e resistimos.

Por mais que o machismo ~nosso~ de cada dia queira nos calar, eles não estão conseguindo. Podem falar que é vitimismo; que é pra chamar atenção; que é coisa de quem não tem mais o que fazer. Podem até falar que é coisa de mulher feia, gorda, sapatão. Pode bater pé, chamar de extremista, e ficar de mimimi que isso não leva à nada. Queria apenas dizer que vocês estão enganados em todos esses pontos, queridinhos! (Aliás, não pode nada disso que eu escrevi não. O que pode é respeitar as mulheres!)

Blog Escreva Lola Escreva
Blog Escreva Lola Escreva

Recentemente houveram duas campanhas virtuais que viralizaram. Primeiro, a #meuprimeiroassédio e logo depois a #meuamigosecreto. Ambas as campanhas tinham o mesmo sentido: conscientizar e fazer com que as mulheres escrevessem sobre as agressões sofridas ao longo de suas vidas. A intenção era que o máximo de mulheres percebam que não estão sozinhas e que não devem se calar. Não ter vergonha por sofrer agressões, pelo contrário, tem que ter é coragem para denunciar.

campanhasComo já éra de se esperar, ouviu-se mais uma vez todas as baboseiras de sempre. Pessoas julgando as campanhas e menosprezando tudo o que éra escrito lá. Geralmente quando pessoas não estão próximas a outras que tem esse tipo de problema (ou que não falam para elas que têm esse problema), elas acham que o problema não existe. Empatia zero. Prestem atenção nas notícias diárias, nos jornais, etc. Vejam quantas mulheres vivem assustadas, dentro de suas casas, muitas vezes até escondidas, com medo de sofrer mais uma vez com a violência. Prestem atenção em quantas mulheres são MORTAS CRUELMENTE por seus companheiros, ex-companheiros ou até mesmo desconhecidos que acharam que por serem homens, podiam abusar delas. Isso não é invenção, é realidade diária.

Blog Escritos Feministas
Blog Escritos Feministas

A mídia mais bem paga, evita falar em Feminismo e ela não mostra os reflexos positivos que ele traz para a sociedade. Essa mídia não divulga que após o #meuprimeiroassédio o número de queixas de violência contra a mulher no Disque-Denúncia (180) aumentou 40% em relação ao ano passado. Esses dados foram divulgados pela Central de Atendimento à Mulher e equivalem à 63.090 denúncias.

Se ainda assim você achar que o Feminismo não serve para nada e que isso é tudo invenção da nossa cabeça, melhor procurar um psicólogo e/ou psiquiatra.

Não importa quantos queiram nos calar,

NÓS EXISTIMOS E RESISTIMOS, SEMPRE.

Pela Vida das Mulheres!

Pelos Direitos das Mulheres!

Pela Não-Violência contra as mulheres!

JUNTAS, SOMOS MAIS FORTES.

Gleica Reinert é pós graduanda em Gestão Tributária pelo INPG Business School. Natural de Blumenau – SC, ama música, os animais e aprecia as coisas simples da vida.

O Mito da mulher que não trabalha

Quantas vezes já ouvimos falar que a mulher “X” não trabalha? Quantas vezes ouvimos falar que as nossas mães e avós não trabalhavam? Pois se eu disser que elas trabalham e sempre trabalharam? É o que vou pretendo comprovar neste texto.

Bom, para começar vamos tentar definir o que é o trabalho. Poderia citar vários autores, mas simplificando: trabalho é um conjunto de atividades realizadas por indivíduo(s) para atingir uma meta. O trabalho pode ou não ser remunerado. O trabalho doméstico muitas vezes não é remunerado, aí você já vai pensar diferente sobre as suas mães, avós, bisavós que todos diziam que não trabalhavam. A minha avó materna, cortava lenha até pouco tempo antes de morrer, tinha uma horta que ela cuidava e as vezes criava bichos (porcos, galinhas e cavalos). Isso tudo no intervalo de cuidar da casa e de 12 filhos. Ela também tinha problemas sérios de coluna. Será que alguém nesse mundo concordaria que a minha avó não trabalhava? Será que alguém concordaria que camponesas ou escravas não trabalhavam?

Podemos falar de tipos diferentes de trabalho e de classe social, mas podemos afirmar que as mulheres sempre trabalharam. As mulheres mais pobres trabalhavam dentro e fora de casa. Normalmente o trabalho fora era doméstico, prestando serviços em casas, restaurantes e estabelecimentos de famílias mais abastadas, trabalhavam de cozinheiras, babás, costureiras, etc. Reparem que estou falando de trabalho, não de profissões específicas. E as mulheres mais ricas não trabalhavam? Sim, elas trabalhavam, elas que delegavam os afazeres domésticos, e se alguém não considerar que isso seja um trabalho, então desconsidere também o trabalho de seus maridos que delegavam serviços aos seus subordinados.

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Nilza Oliveira dos Santos, 75 anos, era enfermeira. Hoje, ela recebe a pensão pela morte do marido e faz bicos como costureira.

Também existe um mito das mulheres não serem capazes de trabalhar com serviços ditos ‘pesados’. Pois bem, esse mito acabou quando as mulheres assumiram os papéis dos homens quando eles foram para guerra. Qual guerra? Todas! As mulheres assumiram os trabalhos ditos pesados pois os maridos, pais, filhos e irmãos estavam no front. Nas fábricas/Indústrias que precisavam cumprir metas de produção as mulheres foram contratadas para os trabalhos que eram destinados aos homens durante a Segunda Guerra Mundial como a Ford por exemplo, principalmente nos EUA. Essa experiência de trabalho dito “masculino” na segunda guerra impulsionou a chamada Segunda Onda Feminista mais tarde, nos anos 60, onde dentre as reivindicações estavam a igualdade salarial entre homens e mulheres.

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Mulheres soviéticas do Quirguistão, na época ainda era Quirguízia, operando tratores na ausência dos homens que foram para guerra, ano de 1942.

As primeiras fábricas no Brasil, fábricas têxteis, tinham a sua grande maioria de funcionários mulheres e crianças. No ano de 1872, em São Paulo, as mulheres representavam cerca de 78% da força de trabalho das indústrias têxteis1[i].[ii]Eram longas jornadas de trabalho, salários baixos, trabalho de risco, sem proteção e sem leis trabalhistas. Além de trabalhar nas fábricas, as mulheres faziam serviços “por fora”, especialmente serviços domésticos para conseguir sobreviver, sustentar a casa e os filhos, pois somente o salário da fábrica não era suficiente.

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Companhia de Fiação e Tecidos Pelotense, Pelotas RS ano 1910

Durante o processo de industrialização brasileiro não se pode deixar de considerar o imenso êxodo rural, a grande massa de pessoas que abandonaram o campo e sobre carregavam as grandes metrópoles atrás de emprego. Nesse contingente, as mulheres representavam 48% do conjunto de 4.918.209 trabalhadores empregados na indústria de transformação, dessas mulheres, apenas 21% trabalhavam até 40 horas semanais e somente 14% recebiam o equivalente a um ou mais salário mínimo legal 2. [iii][iv]

Então, vamos desfazer alguns mitos: grande parte dessas mulheres urbanas, desde os séculos XVIII e XIX, eram mulheres q não tinham casamentos formais, trabalhavam e sustentavam seus filhos, muitas sozinhas.

“Mulheres brancas e sem dotes não se casavam nem se integravam nos padrões aristocráticos de organização familiar. Viviam segundo os usos costumeiros em uniões legítimas, porém instáveis, que se sucediam ao sabor dos ciclos vitais e acabavam por criar sozinhas os filhos. Abandonadas por maridos ausentes, juntavam-se com outros homens, com os quais tinham filhos ilegítimos (…) Multiplicavam-se mulheres pobres que o sistema social era incapaz de absorver e que apenas tangencialmente se inseriam na sociedade escravocrata. Num processo de pauperização foram ocupando as margens da miséria da urbanização incipiente.” Silva Dias citado em Anotações Sobre a Pobreza Feminina na Constituição De um Mercado de Trabalho Informal no Brasil

Se fomos fazer um recorte e gênero e raça, as mulheres negras eram as mais atingidas em todos os sentidos de trabalho precário, mas em especial no período pós escravidão, onde gerou uma massa de desempregadas.

Poderíamos falar das tribos indígenas do Brasil ou de qualquer lugar onde as mulheres sempre ocuparam seus lugares de trabalho, mas falando especificamente do Brasil, onde os índios foram expulsos de suas terras, trouxeram os negros para trabalhar, depois abandonaram os negros e trouxeram os imigrantes, ou seja, gerou-se uma mão de obra excedente, acumulando desempregados. O trabalho era normalmente informal e precário, formado principalmente por mulheres e negros, o trabalho doméstico, por exemplo, a pouco tempo foi reconhecido com direitos formais como outras categorias de trabalho.

Mas o que eu quero mostrar com esse texto não é uma espécie de mérito pelo trabalho que sempre coube a mulher as piores atividades, piores remunerações, até mesmo nas fabricas competia aos homens os melhores postos e melhores remunerações. A minha intenção é mostrar o quanto a sociedade passa uma imagem falsa de mulher. Estudando ou apenas prestando mais atenção a nossa volta, você vai perceber que a figura de mulher mais comum não é aquela de Diva, de mulher de batom e salto alto, mas uma maioria esmagadora de mulheres que trabalharam a vida toda para sobreviver e criar seus filhos, muitas sem ajuda de maridos. Não lembro da minha avó usando batom ou salto, lembro dela cortando lenha. A urbanização, a moda, fazem com que as mulheres se vejam como figuras fúteis, infantis ou figuras decorativas, embora tenham conquistado mais postos de trabalho e os salários continuem menores do que dos homens. Quero dizer que se formos ver na história, somos e sempre fomos importantes seja em qual tempo for, mas somos consideradas sempre as cidadãs de segunda classe, não temos salários iguais, não temos respeito, não temos direitos básicos como o do nosso próprio corpo. Somos exploradas sexualmente direta ou indiretamente. Nós, mulheres, precisamos nos reconhecer como seres políticos que temos uma hierarquia social que não nos beneficia, ao contrário, nos desfavorece enquanto sujeitos sociais, onde nossa ausência participativa é justificada irracionalmente pela nossa biologia.

“Os que fizeram e compilaram as leis, por serem homens, favoreceram seu próprio sexo, e os jurisconsultos transformaram as leis em princípios”, diz ainda Poulain de Ia Barre. Legisladores, sacerdotes, filósofos, escritores e sábios empenharam-se em demonstrar que a condição subordinada da mulher era desejada no céu e proveitosa à terra. As religiões forjadas pelos homens refletem essa vontade de domínio: buscaram argumentos nas lendas de Eva, de Pandora, puseram a filosofia e a teologia a serviço de seus desígnios.” Simone de Beauvoir in O Segundo Sexo vol. 1

Há um filme que considero muito bom sobre o assunto, Revolução em Dagenham (Made in Dagenham) que fala sobre a greve das mulheres na Ford em 1968, o filme é do ano de 2010.

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Made in Dagenham, filme. (2010)

Referências:

1 PENA,Maria Valéria Junho.Anotações Sobre a Pobreza Feminina na Constituição De um Mercado de Trabelho Informal no Brasil.Rio de Janeiro: UFRJ/Instituto de Economia Industrial, 1986. 26p. (Texto para Discussão; nº 95).

2 PEREIRA, Mello. Empregadas Domésticas: quantas são, suas metas e as relações com o Movimento Feminista. Departamento de Economia, Universidade Federal Fluminense, 1985.

Violência contra a mulher e Feminismo no ENEM

Após o Projeto de Lei 5069/2013 ser aprovado e uma mulher ser encontrada queimada e seminua às margens da BR, em Lontras – SC, o tema da redação do ENEM não poderia ter sido melhor: A PERSISTÊNCIA da violência contra a mulher na sociedade brasileira.

É preciso falar sobre violência, sobre machismo, sobre (des)igualdades de gêneros. Fazendo a sociedade pensar à respeito, conseguiremos criar voz para colocar tudo isso em prática. Porém, é triste ver que enquanto criamos vias de acessos às informações, as leis vêm na contramão. Bizarro ver que alguns Deputados não reconhecem o Brasil como um Estado Laico e colocam as ~regras~ de suas crenças na Legislação de um país inteiro.

ENEM
Obviamente os políticos que foram à favor ao projeto, foram completamente contra o tema da redação, bem como as demais questões que envolviam o feminismo. Afinal, de acordo com o Projeto de Lei, “Tipifica como crime contra a vida o anúncio de meio abortivo e prevê penas específicas para quem induz a gestante à prática de aborto.”. Alguns Deputados acusaram, inclusive, o Governo de estar fazendo “doutrinação” na prova e apontaram o ENEM como sendo o “Exame Nacional do Ensino MARXISTA”.

Inacreditável e lamentável ver que estamos em 2015 e ainda existe quem feche os olhos pra esse preconceito enraizado na cultura brasileira. As estatísticas mostram quantas mulheres são agredidas, abusadas e violentadas diariamente. Muitas delas sofrem caladas, por medo. Ainda é necessário avançar muito para que essa realidade seja modificada. E ao invés de tentar mudar este cenário, a câmara dos Deputados está aprovando projetos de leis para que essas mulheres que sofreram com um estupro, não possam abortar (até mesmo com o método de pílula do dia seguinte). Além de sofrerem com o ato de violência, elas ainda serão obrigadas a manter uma gravidez e gerar um bebê, fruto de violência. Sofrimento em dose dupla! Isso sim é praticar doutrinação.

Além da redação, teve uma questão de Simone de Beauvoir:

Simone_ENEM
Sete milhões de pessoas tiveram que escrever sobre a persistência da violência contra mulher e pensar a respeito do feminismo. Isso pode parecer pouco, mas numa sociedade onde o machismo é considerado normal, acredito que já seja um grande avanço.

Machistas se irritam quando o Feminismo ganha voz e força, mas vocês não passarão! (Chorem mais!)

Gleica Reinert é pós graduanda em Gestão Tributária pelo INPG Business School. Natural de Blumenau – SC, ama música, os animais e aprecia as coisas simples da vida.

Oktoberfest!

Blumenau tem a Festa mais Alemã das Américas! Nessa época, a cidade fica cheia de turistas, mais limpa, mais organizada, e até quem mora aqui parece mais feliz. Tem Fritz e Frida pra todos os lados, muito Chopp geladinho, música alemã, dança, comida típica, desfile, e EIN PROSIT o tempo todo.

www.oktoberfestblumenau.com.br
Divulgação da Oktoberfest Blumenau

Além da Oktoberfest os turistas podem aproveitar para conhecer as Cervejarias da Região, as lindas praias do nosso litoral, as cachoeiras e curtir muito os atrativos do Vale. Este é realmente um dos melhores lugares para se viver e entendemos o porque de as pessoas quererem passar suas férias por aqui. Muitas pessoas não se dão conta do que essa festa representa e talvez até não saibam que ela só passou a existir com o objetivo de recuperar a economia e os danos causados pela enchente de 1984, ocorrida na cidade. Quando uma comunidade se envolve em torno de uma causa maior, as coisas dão certo!

Infelizmente nem tudo é tão perfeito como parece. O machismo enraizado na cultura do nosso país também marca presença nessa festa, um exemplo rápido é o convidado ~especial~ do ano: Jair Bolsonaro.

Oktober2015

A mídia coopera muito para a propagação do machismo. Grande parte da publicidade é voltada para os homens, oferecendo, inclusive, as mulheres blumenauenses como atrativo turístico. Além disso, criam estereótipos, como se todas fossem loiras, magras, altas e de olhos azuis. Como se todas as Fridas estivessem disponíveis para o deleite dos turistas e frequentadores. Grande parte dos homens, turistas ou não, acreditam ter o direito de assediá-las, intimidá-las. Dificilmente uma mulher andando sozinha pela festa não será abordada, puxada pelo braço, submetida a uma tentativa (que muitas vezes se concretiza) de beijo forçado. Muitas com medo deste assédio, procuram ir à festa em grupos e ainda assim são vítimas destas abordagens abusivas. Neste ponto é desnecessário citar os casos de homofobia que acontecem na festa, certo? Certo.

Divulgação da página #OktoberSemMachismo
Divulgação da página #OktoberSemMachismo

Mulher pode e deve gostar de cerveja sim. Pode se vestir como quiser e ir à festa! É necessário que os homens aprendam que não somos objetos a disposição de suas vontades. Somos seres humanos, exigimos respeito. Temos o direito de transitarmos livremente e de nos divertirmos.  Esse tipo de prática precisa ser extinta e cabe ao poder público e a organização da festa trabalhar nesse sentido. Reforçar a segurança, conscientizar, criar maneiras de coibir a prática e amparar as vítimas, etc. Dentro da festa não existe nenhum lugar onde possam ser feitas denuncias, como a delegacia da mulher móvel, por exemplo. A festa também é nossa! Nós construímos e reconstruímos essa cidade, é justo que possamos apreciar de forma segura e livre, acompanhada de um bom chopp. Deixem as Fridas em paz!

Procuramos neste post, trazer um pouco da experiência vivida por nós, mulheres blumenauenses, na Oktoberfest. Queremos saber a sua opinião sobre a festa. Deixe aqui nos comentários sua visão, contribua para a construção deste portal.

Por Gleica Reinert e Ariane Blum.

Gleica Reinert é pós graduanda em Gestão Tributária pelo INPG Business School. Natural de Blumenau – SC, ama música, os animais e aprecia as coisas simples da vida.

Ariane Blum é estudante de Direito pela Faculdade Metropolitana de Blumenau, comunista e militante dos movimentos sociais, dentre eles, Feminismo.

Feminismo Desmedido

Feminismo Desmedido é uma coluna composta por três mulheres e que retrata a vivência e militância Feminista em diferentes estados brasileiros.

Gleica Reinert é uma delas, natural de Blumenau – SC. É sagitariana, Bacharel em Ciências Contábeis e considera-se Feminista a pelo menos quatro anos. Descobriu o feminismo após pensar a respeito da sua infância, quando familiares insistiam para que ela fosse mais feminina. Não gostava da cor Rosa, nem de saia. Praticava esportes em meio aos meninos da turma. Não simpatizava, desde cedo, com a diferença entre gêneros. Num dia qualquer, em meio a suas leituras diárias na internet, deparou-se com um blog Feminista. Daquele momento em diante não parou mais de ler sobre o assunto. Foi assim que percebeu que não era a única a pensar daquela forma. Hoje é integrante do Coletivo Feminista Casa da Mãe Joana. Ama música, os animais e aprecia as coisas simples da vida.

Também de Blumenau, Ariane Blum é estudante de Direito, comunista e militante dos movimentos sociais. Afirma que desde muito pequena já era chamada de Feminista pela família por sua personalidade questionadora e firme. Não entendia o porquê de seu irmão não ajudar nos afazeres domésticos e interpelava isso. Mais tarde, frequentando a faculdade de História, começou a ter contato com o pensamento progressista e percebeu que a luta por igualdade não pode ser restrita. Segundo ela a revolução é plural e precisa considerar os recortes de gênero, raça e classe. Enfim, a revolução é de todas as minorias.

Viviane Martins, natural de Pelotas – RS, é Bacharel em Ciências Econômicas, define-se feminista a pelo menos dez anos. Simone de Beauvoir é sua maior inspiração. Não se considera de nenhuma corrente ideológica específica, embora simpatize muito com Feminismo Radical e Marxista. Atuou em cooperativas de Economia Solidária formadas por mulheres. Sempre se sentiu estranha por gostar de atividades consideradas masculinas como futebol, rock e economia. A internet a ajudou a encontrar pessoas com o mesmo sentimento de estranheza e passou a junto com essas pessoas, questionar gênero.

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Juntas elas têm por objetivo expor suas vivências e mostrar a outras pessoas que o Feminismo existe e que o movimento deve ser aberto, claro e desmedido. Principalmente, desejam que todos entendam que Feminismo não é, nem nunca será, o contrário de machismo.

“Que nada nos defina, que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância, já que viver é ser livre.” (Simone de Beauvoir)

O que o Narloch tem a ver com o meu salário?

Homens ganham mais do que mulheres. Não é novidade que, mesmo exercendo funções idênticas, os salários femininos sejam menores. Assim como não é novidade que as brasileiras possuam grau de instrução maior do que os brasileiros e ainda assim, essa disparidade persista.  Quanto maior o nível de instrução maior a diferença, chegando até a 40% segundo a professora Regina Madalozzo do Insper, citada em recente artigo publicado no site UOL.

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Eis que, procurando inspiração para o texto de estreia (que foi o mais difícil de escrever de toda a minha vida até aqui), topei com o tal Leandro Narloch questionando se a igualdade salarial seria realmente vantajosa para as mulheres.

No texto, ele expõe em três argumentos o porquê acredita que nós mulheres tenhamos que nos contentar em ganhar menos que pessoas como ele, homens. Os dois primeiros levam em consideração as funções em que geralmente emprega-se força de trabalho feminina, como as áreas da educação, RH, etc. Segundo ele e sua amiga de Harvard o salário nessas áreas é baixo por causa da lei da oferta e da procura, tsc, nada a ver com gênero… O que ele ignora na verdade é o fato de que mulheres ganham menos que homens >>>mesmo trabalhando nas mesmas funções<<<, me deixa explicar em uma situação hipotética (mas que acontece com frequência), mesmo ocupando um cargo de chefia após ter se matado em estudar, revezando com a mãe, empregada doméstica, o cuidado com o filho que teve na adolescência e que o pai abandonou, Maria ganhará menos que João, que tem o mesmo nível de instrução e trabalha na mesma área. Se isso não tem a ver com gênero, Harvard precisa rever seus conceitos (ou preconceitos). A situação hipotética criada pode trazer um caráter subjetivo ao texto, mas não se engane ela foi criada para ilustrar a realidade das estatísticas. A disparidade salarial existe não porque nós mulheres somos professoras ou pediatras, ela existe porque o mercado de trabalho é machista e privilegia quem já nasceu privilegiado.

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Quase me esqueço, no segundo argumento diz-se que os homens ocupam os empregos mais desagradáveis e com maior incidência de acidentes. Aqui, comete-se o absurdo de afirmar que “Só quando houver igualdade na taxa de acidentes de trabalho será possível haver igualdade de salários.” A fala por si já é totalmente problemática, mas vamos lá. Quase 20% da população feminina brasileira trabalha como empregada doméstica. Você quer trabalho mais desagradável que limpar uma privada coberta de urina e ainda assim ganhar menos que um homem que realiza a mesma função? Pior, chegar em casa, limpar de novo e não ser remunerada por isso? Ficar exposta a produtos químicos, cair da janela do 20º andar porque o vidro estava sujo e… Por favor, né? Doméstica usando EPI?

Por fim a mais absurda, afirma-se que o que contribui para essa injustiça é o fato de que mulheres não querem crescer ou vencer na carreira. Nesse, o autor não enxerga a construção social. Não percebe (talvez intencionalmente) que meninas são educadas para serem servis, recatadas, mães de amor incondicional. Ele até sugere que “Para melhorar a estatística, seria preciso tornar as mulheres menos livres (caso fossem obrigadas a querer subir na vida, oi?)”. Isso em um mundo onde qualquer uma que ouse questionar o sistema é rechaçada. Esse talvez tenha sido guardado para o final justamente para causar essa indignação que estou sentindo. Pois quando nos impomos e exigimos direitos somos criminalizadas, ainda assim, nos atribuem a culpa por essa distinção.

Senhor Narloch, nesse momento existe uma jornalista escrevendo algo que contribuirá circunstancialmente para a luta por igualdade salarial, diferente do seu texto, e pasme, ela continuará ganhando até 40% a menos que o senhor.

Ariane Blum é estudante de Direito na Faculdade Metropolitana de Blumenau, comunista e militante dos movimentos sociais, dentre eles, Feminismo.

Sistema Prisional: Quem lembra delas?

Sistema Prisional, quem lembra delas?

(Atualizado em 16/05/2016)

O Brasil sustenta atualmente a nada honrosa 4ª posição no ranking mundial de países que mais encarceram no mundo. Em 2014 chegamos a 607.731 pessoas e a cada ano essa população cresce cerca de 7%. Com um déficit de 231 mil vagas, é cada vez mais evidente a falência total de nosso sistema prisional.  Público e notório o fato de que nossos presídios não possuem capacidade para realizar sua principal tarefa: a ressocialização. Relatos de abusos, falta de estrutura, privação de direitos, desumanidade. Realidade conhecida pela sociedade embora ignorada pelo poder público.

Dentro desse sistema, porém, há uma parcela esquecida por ambas as instâncias. Cerca de 6,4%% de toda a população carcerária é formada por mulheres. Minoria, além de enfrentarem a violação de direitos humanos e omissão do Estado, as presidiárias convivem com o abandono da família.

A Lei de Execuções Penais (LEP) prevê em seus artigos, um rol de direitos que visam garantir a dignidade dos apenados durante seu período de internação, possibilitando a efetiva reintegração posterior à sociedade. Em ambos os casos (masculino e feminino) há o desrespeito à legislação e precariedade. No entanto, essa violação se agrava quando existem fatores que propiciem que isso aconteça. Mulheres menstruam, mulheres engravidam, mulheres precisam de atendimento ginecológico periódico. O que existe, no entanto, é o total desrespeito tanto a legislação quanto ao ser humano do gênero feminino.  A falta de assistência material faz com que as apenadas , segundo relatos, utilizem miolo de pão como absorvente íntimo, jornal velho como papel higiênico entre outras medidas degradantes. O direito a amamentação até os seis meses de idade da criança é negado devido à falta de estrutura dos presídios. Várias unidades não contam com atendimento médico ginecológico e muitas ficam sem esta assistência antes ou depois do parto. Casos de não extração dos pontos de incisão e falta de informação quanto ao tempo de gestação são realidade constante. Mães são obrigadas a dar a luz algemadas, mais uma violação bárbara dos direitos humanos.

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O abandono da família é uma triste realidade. Constata-se que em casos de prisão de homens a família mantém visita constante. O mesmo não acontece com as mulheres, uma passada em frente a um presídio em dias de visita e esse fato fica evidente.  Esse fator agrava a omissão do Estado visto que, no caso dos homens, a família (geralmente a companheira) acaba por suprimir as necessidades básicas com alimentação, itens de higiene e diversos. No caso das mulheres o abandono é generalizado. Abandono este que não encontra outra explicação senão na reprovação social causada por uma sociedade machista e patriarcal.

Importante ressaltar que, segundo o Conselho Nacional de Justiça e Infopen Mulheres, a população carcerária feminina saltou assustadoramente 567% nos últimos 15 anos. A maioria dos casos por tráfico de drogas, crime não violento que traz dinheiro para a casa de “mães solteiras” e com pouca instrução. Além disso, muitas mulheres são presas quando tentam entrar nos estabelecimentos prisionais portando entorpecentes. Coagidas por seus companheiros, acabam sendo detidas após passar por revista vexatória. Preocupante também o fato de que considerável número de garotas entre 16 e 18 anos são pegas praticando o mesmo ato. Aqui a redução da maioridade penal nos atingiria em cheio. O número de apenadas nesse sistema vil daria um salto enquanto o crime organizado, comandado por homens, aliciaria meninas ainda menores para o que se chama de tráfico de portaria.

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A cada dia um novo retrocesso nos é apresentado pelos três poderes que nos governam. Realizamos a proeza de eleger o legislativo mais conservador desde os sombrios tempos da ditadura. Poder financiado pelas grandes corporações e guiado por fundamentalistas religiosos. Dentre todos os afetados por estes retrocessos as camadas mais pobres da sociedade é que sofrerão os impactos mais fortes e irreversíveis, já o estão sofrendo. No canto desta sala escura, esquecidas, estão as mulheres inseridas no sistema prisional, a falta de visibilidade faz com que pereçam ainda mais. É chegada a hora dos movimentos progressistas olharem pelas que estão em situação de cárcere, mas não sem antes questionar o porquê de ainda não o ter feito. Estaríamos aparelhados ao pensamento retrógrado e machista ou apenas nos falta memória?

Ariane Blum é estudante de Direito pela Faculdade Metropolitana de Blumenau, comunista e militante dos movimentos sociais, dentre eles, Feminismo.